1.0 – TRAJETÓRIA ESCOLAR E ACADÊMICA
Como filho de professora primária, leiga e da zona rural do município de Capistrano-CE, fui alfabetizado na minha própria casa, onde funcionava uma escola isolada.
Com a fundação da escola Reunidas de Carqueija, minha mãe foi para aquele prédio. Ali fiz até o quarto ano primário (lei 4024). O 5o ano e a 1a Série ginasial, fiz em Capistrano. Com a reforma do ensino de 1971 (lei 5692) a 2a Série ginasial, passou a ser 6a Série do 1º grau, cursei-a em Fortaleza, numa escola noturna no Bairro José Walter. Daí até terminar o curso superior, sempre estudei à noite.
Nos cursos de 1o e 2o graus não tive participação no movimento estudantil. Não tinha tempo, trabalhava dois expedientes no centro de Fortaleza e vinha cansado para o colégio. Muitas vezes, até dormia em sala.
Foi na faculdade (1979) que participei do movimento estudantil, como representante do curso de História no Departamento, depois no Conselho Departamental do Centro de Humanidades da UECE e por último no CEPE - Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UECE, gestão do Pe. Luis Moreira. Com a criação do Centro Acadêmico de História nós fomos aos poucos nos politizando. Ainda tínhamos medo da repressão.
Mas o Centro Acadêmico fundado pelo companheiro Pedro Ivo, foi um passo bastante significativo. Eu atuei nas campanhas de três diretorias – a dele, a de Fernando e a de Beatriz Furtado, ex-secretária de comunicação da Prefeitura de Fortaleza. Foram eles que conseguiram fundar o DCE da UECE.
No último ano da faculdade fui ao o Pará pelo projeto Rondon. Lá fiz uma pesquisa histórica sobre o distrito (São José do Jabuti – município de Igarapé-Açu) esta experiência foi muito proveitosa para mim, no campo da História. No Projeto Rondon a nossa equipe era muito dinâmica. Empolgado com a possibilidade de escrever a primeira história de minha vida fiz uma pesquisa, que não se deteve em aprofundar os temas, mas levantou o problema e no final fizemos a publicação em mimeógrafo a álcool. (Não tenho cópia). Fiz pelo menos duas viagens de estudo, sendo uma no Cariri: Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha e outra por Recife/Olinda, visitando os monumentos históricos.
Ainda como estudante universitário, fui bolsista do SESC – Serviço Social do Comércio por dois anos. Na oportunidade lecionei no Supletivo do 1o e do 2o graus e no Curso Pré-Universitário para os comerciários. Via, naqueles alunos trabalhadores do comércio, um pouco da minha história. Estavam ali na esperança de evoluir na sua vida do ponto de vista educacional e profissional. A experiência do SESC foi bastante rica, tínhamos encontros, cursos, fazíamos seminários, foi um estágio bastante proveitoso.
Toda essa vivência me assegura afirmar, que apesar de ser uma entidade que aparentemente não tem compromisso com a educação e nem sua função principal é esta. Mas no período que passamos no SESC, testemunhamos certo avanço na questão da educação.
A condição de estagiário nos deixa muito eufórico no começo, mas um tédio invade o coração do estagiário no final do estágio por saber que será dispensado e muitos sem perspectivas de novo emprego.
Empolgado com a experiência do Supletivo, criei um Curso Supletivo, ao fundar o Instituto Educacional Professora Maria Júlia Barros no Bairro José Walter em Fortaleza. Teve duração efêmera devido às dificuldades de manutenção causadas pela inadimplência dos alunos e a falta de estrutura. Mas, como experiência foi bastante gratificante.
2.0 – EXPERIÊNCIA NO MAGISTÉRIO: 1º E 2º GRAUS E ENSINO SUPERIOR[1]
2.1. Experiência na Escola Privada
A minha atuação como professor começou, de fato, em 1981 no Colégio Oliveira Paiva, na condição de professor substituto. Um amigo meu se afastou espontaneamente para me proporcionar esta oportunidade. Tive que lecionar Sociologia, o problema é que ele era um excelente professor, de fácil comunicação, foi bem difícil substituí-lo, principalmente por ser um professor bom e querido pela turma. No entanto, com muito esforço e dedicação, conseguimos conquistar a turma. Trabalhamos também nos Colégios, Fênix Caixeral, Colégio Equipe e Ginásio Anchieta. Ensinávamos em todas as séries.
A passagem pela escola particular nos autoriza dizer que, apesar de enriquecedora, porque toda experiência que é rica para formação profissional é também de caráter bastante explorador. Somente na Fênix tivemos a carteira de trabalho assinada.
Por outro lado tem a questão da “Hierarquia” dos profissionais – por exemplo no Colégio Equipe quem era famoso – ensinava no Farias Brito – no Colégio Cearense etc. Estes eram melhor remunerados, nós, que estávamos começando, éramos os que ganhavam menos.
Embora muitas vezes fossem os que segurassem a “barra” nos cursos de 1o grau e séries iniciais 2o grau. Embora critique esta situação, lembro-me que na universidade americana é assim. Segundo depoimento que tivemos na Universidade de Miami, os profissionais mais famosos do direito, por exemplo, são pagos com salários altíssimos, para se manterem como professor na universidade. Ou seja, é o mercado que controla o salário do professor. Concluo dizendo que já nessa época (1983) tinha ensinado da 5a Série do 1o Grau ao Pré-Vestibular passando por todas as séries.
2.2. Experiência na Escola Pública
O concurso da Prefeitura para Orientador de Aprendizagem em 1984 foi uma vitória para mim. Na primeira fase fiquei no 40º lugar. Fomos fazer o curso de orientador da TVE dos 100 (cem) primeiros colocados, fiquei na sexta colocação geral nesta 2ª fase. A avaliação deste curso foi muito contestada. Cada um avaliava o colega e fazia uma seleção. Daí era tirada uma média, que com o desempenho do aluno e a avaliação do professor se faria uma média geral.
Logo após a divulgação dos candidatos fomos chamados e assumimos a sala de aula na Escola de 1o Grau Ari de Sá Cavalcante no Bairro José Walter.
A realidade da sala de aula é bem diferente da teoria, aprendida no curso. No caso específico de orientador de aprendizagem, era lotado numa turma onde devia orientar todas as disciplinas. O que ocorria na realidade é que o orientador explorava mais a disciplina de sua formação.
Tive, portanto, muito trabalho e não sei se meu trabalho como orientador foi melhor do que como professor de ensino regular. Mas o nível de desinibição dos alunos, isso eu posso afirmar era muito melhor que hoje.
A minha última experiência na escola pública foi no Colégio Estadual Otávio Farias, tirei o primeiro lugar na seleção do Estado (1984). Só havia uma vaga para aquela escola, a alegria de ter passado foi dupla, por entrar no quadro do magistério do Estado e por aquela escola está localizada no bairro onde morava. Como professor de história, procurei dar tudo de mim para fazer um bom trabalho, na sala de aula, sendo responsável; cumprindo com o meu horário e incentivando a turma a aprender sempre.
Fora da sala de aula, nesta escola, participamos de um movimento de moralização da escola. Lutamos também, contra a interferência política externa e conseguimos realizar uma das primeiras eleições em escola pública do estado e a nomeação do Diretor mais votado.
2.3. Experiência no Ensino Superior
Fiz concurso para a Faculdade de Quixadá (UECE), área de História, em 1983. Fui chamado em 1986, após um longo período de visitas, reuniões e reivindicações dos professores e das comunidades locais para contratação dos professores concursados.
Os dois primeiros anos de atuação como professor universitário foram muito difíceis. É diferente você dar aula na educação básica e passar a fazê-lo na universidade. Foi um período de adaptação. Depois é que passei a ter mais consciência do meu papel e mais desenvoltura na sala de aula, apesar de encontrar dificuldade, principalmente com relação a fontes de pesquisas na época na cadeira história do Ceará.
Com o tempo me dispus a participar do movimento político da universidade, me candidatando a vice-direção.
Mas a análise que faço de minha atuação é que, modéstia à parte, evoluiu. Na sala de aula me desprendi daqueles trabalhos individuais nem sempre verdadeiros ou autênticos (refiro-me aos antigos NTIs) para colocar todo grupo numa pesquisa sobre as fontes históricas do Sertão Central (Quixadá, Quixeramobim, Senador Pompeu), claro que dentro das limitações que o tempo impõe e que a turma tem, e da sua disponibilidade de tempo. Mas partindo do pressuposto que, a partir da família já há participação de um grupo social, ou da própria história da família de cada um (história de vida), ou da escola que participam etc.(história local) de forma que sempre há como reconstruir esta memória histórica. Assim fazendo, nossos alunos tiveram oportunidade de recriar sua própria história, a história da sua gente da sua comunidade que é parte da história do Ceará.
Quando por força das circunstâncias, tive que assumir a cadeira de História das Artes, fiz com a turma a I MAPUQ (Mostra de Artes Plásticas da UECE – Quixadá). Foi um sucesso relativo. Na vice-direção juntamente com um grupo de professores coordenei a MAPUQ, com uma dimensão muito mais ampla.
Além da MAPUQ que teve 08 edições, tive a oportunidade de liderar um movimento junto a estudantes do Maciço de Baturité e Sertão Central, em prol da construção de uma Residência Universitária em Quixadá. Este movimento ultrapassou o período em que estive na vice-direção sendo concretizado na minha gestão como Diretor. Ainda na vice-direção, tivemos oportunidades de elaborar uma proposta de Regimento para a Faculdade e que serviu de modelo para todas as Unidades do Interior da UECE, em vigor até a última reforma do estatuto da UECE.
A última experiência como vice-diretor foi presidir a comissão do Concurso Público de Provas e Títulos que ocorreu na Faculdade em 1991. Foi uma experiência muita rica e que me proporcionou um grande aprendizado na área administrativa da universidade.
No início de 1992. Fui incentivado a disputar a Direção. Fui eleito com uma margem de 90% dos votos válidos, assumindo a direção em junho de 92 numa crise da Faculdade, principalmente por falta de professor. Em agosto conseguimos a contratação de 14 professores do concurso já realizado. Terminamos o mandato com cerca de quatro dezenas de professores todos concursados.
2.3.1 Direção da FECLESC
Fui eleito diretor da FECLESC para o quadriênio 1992 a 1996. A direção da FECLESC nos deu oportunidade de realizarmos um sonho acalentado há muito tempo; a criação de uma unidade da UECE em Baturité. Por sermos de Capistrano, conhecíamos o potencial daquela região e como tal entendíamos que poderia ter uma Faculdade para alavancar a educação e o desenvolvimento local. Ao lado de muitos companheiros dentre eles a professora Fabíola Barrocas Tavares, Inácio Silveira e João Batista, levamos o movimento à frente, mobilizamos todos os prefeitos, os vereadores e lideranças locais. Com o apoio do reitor da UECE, prof. Paulo de Melo Jorge Filho, tivemos este movimento vitorioso.
O mesmo aconteceu em Senador Pompeu, só que nesta cidade, fomos chamados pelos prefeitos da Região, liderados pelo então prefeito Marcondes Borges criávamos assim dois Campi para a FECLESC. O do Maciço de Baturité e o do Sertão Central II, hoje em pleno funcionamento.
As dificuldades financeiras e as limitações da burocracia eram muitas. Após discutirmos a importância de Institutos como canal de interlocução da Universidade com a Comunidade colocamos em discussão uma proposta de nossa autoria de criação do Instituto de Ciências e Tecnologia do Sertão Central, aprovado pelo Conselho Departamental da FECLESC e serviu de modelo para quatro outros na UECE a saber: Instituto de Educação, Ciências e Tecnologia do Maciço do Baturité – IMBA. Instituto de Educação, Ciências e Tecnologia do Sertão Central II – IECT em Senador Pompeu. Instituto de Educação, Ciências e Tecnologia do Vale do Curú em Pentecoste e Instituto de Educação, Ciências e Tecnologia dos Inhamuns em Tauá, todos com o objetivo de dar suporte às Unidades da UECE nestes locais.
Podemos registrar como relevantes em nossa gestão à frente da direção da FECLESC, além de sua expansão geográfica com os Campi e Administrativo-financeira com os institutos, a expansão física, com a construção de salas de aula, reforma no prédio, a criação do curso de Letras que após um longo processo de elaboração do Projeto para aprovação no CEPE e a transformação do Curso de Ciências – licenciatura curta em Licenciatura Plena, com duas habilitações uma em Química e Biologia outra em Física e Matemática.
É digno de registro a aprovação no CEPE do Curso de Especialização em História do Ceará, e de um Curso de Saúde Pública que promovemos na FECLESC, formando profissionais nestas áreas. E para concluir esta fase, gostaria de registrar a proposta de Concessão do Título de Doutor Honoris Causa à escritora Rachel de Queiroz que foi apresentada por mim ao Conselho Universitário e aprovado por unanimidade. Este título foi entregue em Quixadá, numa sessão solene do Consu com a presença de todos os seus membros. Foi uma festa muito bonita.
A direção de uma faculdade é algo muito complexo. Procurei superar minhas limitações e as limitações financeiras e administrativas, com o compromisso e a dedicação. Realizamos na FECLESC, várias atividades que temos satisfação em resgatar. Festival de Cultura Popular, em várias edições, dentre elas duas com destaque especial, a que teve a participação do poeta Patativa do Assaré e a que participou o poeta e apresentador Carneiro Portela. Mas todos tiveram uma aceitação muito boa e uma participação relevante da maioria dos cantadores de viola da região. As Feiras de Ciências que já existiam, foram ampliadas e no esporte tivemos oportunidade de sermos campeões dos Jogos das Faculdades do Interior em 1995.
Todos estes momentos foram registrados e na FECLESC e em pequenos artigos e cartas que publicamos em jornais do estado, e nos informativos da FECLESC, da UECE, cujos principais temas selecionamos para produção cultural requerida para esta seleção.[2]
Além disso, foram cursos, minicursos, seminários, encontros, que participamos como diretor ou professor ao longo da nossa passagem por aquela colenda instituição de ensino superior, da qual temos orgulho de ter pertencido aos seus quadros.
A direção da FECLESC nos proporcionou muitas oportunidades. A primeira foi a possibilidade de conviver com a elite administrativa da Universidade e aprender muito sobre gestão universitária. Mas, sobretudo as viagens de visitas as Universidades do Brasil e dos E.U.A. Conhecemos as principais Universidades e Faculdades da Flórida em estágio do Curso de Especialização em Gestão e Liderança Universitária. Conhecemos também, juntamente com mais 16 colegas da UECE, as mais destacadas Universidades do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul o que nos permitiu ter uma visão mais ampla da Universidade.
2.3.2 – CANDIDATURA A VICE-REITOR DA EUCE
No final do mandato de diretor da FECLESC em 1996, submeti-me à eleição de vice-reitor da UECE, concorrendo livremente, sem formalização de chapa com reitor, à época isso era possível, pois o estatuto da universidade permitia. O resultado foi bastante favorável, pois em uma campanha em que o único material de divulgação era uma xérox de uma cartaz tamanho ofício e um panfleto com as propostas, acabei ocupando o terceiro lugar na lista sêxtupla. A minha atuação com diretor e na campanha como candidato a vice-reitor fizeram com que os professores Manasses Fonteles e Assis Araripe, eleitos reitor e vice-reitor, me convidassem para assumir a prefeitura da UECE em 1996.
2.3.3 – PREFEITURA DA UECE
Antes de assumir o cargo de prefeito, pude colaborar como assessor da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis. Ali fiquei responsável pelo R.U. (Restaurante Universitário) por trinta dias. Foi quando o Professor Araripe vice-reitor, me convidou para assumir a prefeitura da UECE. Nosso período na prefeitura foi breve, de agosto a novembro de 1997.
Foi um grande desafio. A prefeitura vinha de uma crise intensa, seus servidores estavam desestimulados e era um local desvalorizado. Após um trabalho minucioso, conversando sempre com os servidores, levantando-lhes a auto estima, conseguimos melhorar os serviços prestados à Comunidade Ueceana por aquele órgão.
Com uma equipe dedicada procuramos reduzir as despesas e maximizar os serviços, procurando dar-lhe uma melhor qualidade. Isso foi possível, a partir da elaboração do primeiro Planejamento Estratégico da prefeitura da UECE. Esboçávamos até as linhas mestras de ação da prefeitura, definindo-lhe a missão, visão de futuro, metas e estratégias de ação.
O trabalho teve a participação dos diversos segmentos do órgão, o apoio e Coordenação da Pró-Reitoria de Planejamento da UECE, na pessoa da professora Socorro Osterne.
2.3.4 – ATUAÇÃO DOCENTE ATUAL
A prefeitura foi o último cargo administrativo que exerci na UECE. Continuei como membro do Conselho Diretor até o final do mandato e daí em diante minha atuação basicamente foi na sala de aula e desenvolvendo dois projetos, sendo um de pesquisa intitulado O Bispo de Maura e a Fundação da Igreja Católica Apostólica Brasileira e outro de extensão: Histórico e Mapeamento Cultural dos Reisados de Capistrano.
Atualmente leciono as disciplinas História da Educação e História da Educação Brasileira no Curso de Pedagogia e Ação Educativa Patrimonial no curso de História no Campus do Itaperi, nos turnos tarde e
3.0 – PARTICIPAÇÃO EM GRUPOS SOCIAIS DIVERSOS
3.1 – Clube 04 (quatro) “S”
A minha primeira participação em grupo social fora a escola se deu na década de 1960, na localidade de Carqueija Município de Capistrano. Foi o Clube 04 (quatro) “S”. Este movimento chegou à Carqueija através da Arquidio-cese de Fortaleza que tinha uma propriedade na localidade e desenvolveu um amplo trabalho comunitário: Escolas Reunidas de Carqueija, Clube de Mães, Cooperativa e para a juventude o Clube 04 (quatro) “S”.
Este grupo sob a orientação do Governo Militar com apoio dos E.U.A,, através da USAID/ANCAR, ao que me parece hoje, tinha como lema: Saber, Sentir, Saúde, Servir.
3.2 – Experiência em Movimentos Extra Escolar, Comunitários e Partidários no Escotismo
Em Fortaleza começamos a fazer parte de movimento de juventude em 1973, apesar de trabalhar diariamente e estudar à noite. Como católico praticante através de contato com a paróquia, começamos a participar de um grupo de jovens que se denominava Movimento de Juventude Êxodos.
Neste grupo desenvolvemos atividades teatrais, apesar de não ser artista, ficava no apoio, infra-estrutura. Fundamos um jornalzinho “Missa Lôba” uma alusão à missa como culto da igreja e a loba da lenda da fundação de Roma, por ser igreja romana. Este jornal foi o início da desagregação entre o grupo e os padres. No VIII número o jornal parou. As condições eram difíceis, os padres queriam intervir no jornal. Nós não permitimos e criou-se um clima de tensão, tendo sido o princípio da desagregação do grupo.
Neste grupo fizemos ainda “Feira de Arte Popular”, com muito sucesso, uma peça – A Paixão de Cristo, que foi apresentada na igreja, etc. Fui coordenador do grupo neste período. A vivência no grupo de jovem é muito importante politicamente, mesmo sem ter àquela época, nenhuma consciência deste feito. Não questionávamos o problema político em si.
Neste mesmo período comecei a participar do grupo de Escoteiro Cristo Rei, vizinho ao Colégio Militar. Isso através de um colega que ali morava ter ido residir em José Walter. A participação da “turma” do nosso bairro no grupo foi tamanha, que conseguimos transferir a sede do grupo para o nosso bairro.
O grupo era tudo em termos de realização para mim e para os meus colegas. O fato de acampar, o contato com a natureza, me fascinava. E como escoteiro ia ter a liberdade de passar fins de semanas acampando. No período que ficava desempregado, o movimento escoteiro preenchia muito o meu tempo. Mesmo trabalhando e estudando conseguia articular o grupo e viajar, às vezes nos fins de semanas, nas férias do trabalho eram os grandes acampamentos. Ocupei vários postos no movimento: Fui escoteiro, monitor, chefe de tropa de escoteiro e chefe de grupo e por último Comissário Distrital – responsável por todos os grupos da capital.
O que mais me desencantou no movimento escoteiro mesmo foi ao ter contato com a história quando vemos a questão do neocolonialismo na África, e que BADEM POWEL fundador do escotismo esteve a serviço de uma colonização que foi um afronto, uma violência ao povo africano e não um mito como aprendi no escotismo. Isso gostaria de ressaltar. Mas uma experiência enriquecedora.
3.3. Outros Movimentos na Comunidade
Além de participar do escotismo, no qual atuava como sendo o grupo da comunidade, e do Movimento de Juventude Êxodo, fiz parte de alguns debates sobre a problemática da comunidade no Centro Social Urbano Adauto Bezerra NO BAIRRO José Walter, como também pelo grupo escoteiro, participei sempre das festividades juninas no bairro, com barracas típicas etc, ponto mais alto de nossos festejos juninos.
Na minha atuação no C.S.U. me liguei a um grupo que pretendia fazer um conselho que integrasse os grupos vivos da comunidade – Conselho Geral de Integração Comunitária. A fase mais rica deste conselho foi durante sua formação, diretoria provisória e discussão dos seus estatutos. Após a feitura, discussão e aprovação dos estatutos, parece ter esfriado a discussão do assunto e o conselho praticamente parou.
Também contribuiu para isso os interesses pessoais, o não prevalecimento de interesse de nenhum grupo especificamente. Ao que parece havia tentativa de controle de um grupo sobre as decisões, não conseguindo impor suas idéias, caí. Mas foi uma tentativa local de organização de grupos em federação, como hoje é muito comum. Outra vivência foi um jornalzinho livre que fundamos: Pé no Chão – a falta de estruturas fez com que só saíssem dois números. Este jornalzinho era de cunho político e se propunha a questionar os problemas da comunidade.
3.4. Política Partidária
Participamos, no município de Capistrano, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB até 1983. Em 1982, trabalhamos na campanha política tanto a nível estadual pró Mauro Benevides e Dorian Sampaio, como a nível local para prefeito e vereador do município, Com a entrada do ex-governador Gonzaga Mota no partido e da junção com o Partido Popular, a saída de muitos autênticos oposicionistas, o PMDB perdeu aquele ímpeto de partido de oposição se acomodando à situação com negociações as mais espúrias. Neste momento me desliguei do partido transferindo o título para Fortaleza.
Desde 2001 sou filiado ao Partido Verde, onde presido a Comissão Executiva Municipal do partido na cidade de Capistrano.
3.5. Experiência Profissional Não Docente
Meu primeiro trabalho foi ainda criança, auxiliando os meus pais na agricultura, apanhando castanha de cajú etc. E no Clube Quatro “S” tinha o meu próprio, conforme já comentei.
Em Capistrano colocávamos água em animal (jumento) para alguns vizinhos. Em Fortaleza, quando aprendemos a andar na cidade passamos a exercer tarefas que era comum aos meninos: “fazer mandados”. Em 1982/83, por exemplo, levava almoço para alguns trabalhadores que residindo no bairro, trabalhavam no centro de Fortaleza e daí surgiu a oportunidade do subemprego. Fui trabalhar como contínuo num atelier de pintura de propaganda denominado – Aleite Placas. Era contínuo. Daí é que surgiu a colocação na empresa RELUX CONSERVADORA E SERVIÇOS LTDA., a diferença é que nesta empresa a carteira profissional era assinada.
Mas o meu melhor emprego foi na Indústria Del Rio. Passei naquela empresa, quase seis anos. Sempre estudando à noite. Como almoçava sempre no local de trabalho, utilizava este horário para estudar.
O trabalho nas empresas particulares, quer no terceiro setor, quer na indústria, é sempre muito duro Não há nas empresas o menor interesse pelo progresso dos seus funcionários. A não ser quando são cursos de aperfeiçoamentos técnicos de imediato aproveitamento na empresa.
Senti-me muito marginalizado, desvalorizado, com relação ao curso que fazia na universidade. Antes de terminar saí do emprego e fui procurar ensinar. Mas a bem verdade não participei de movimento sindical. E quando tomei consciência de minha realidade saí da empresa.
Contudo, a vivência nestas empresas contribuiu, em muito, para a minha formação profissional, mesmo como educador, visto que o regime de trabalho nelas imposto me faz estar sempre disposto ao trabalho – quer da sala de aula quer da pesquisa enfim, considero-me mesmo um trabalhador. O trabalho me realiza.
3.6. Outras Experiências Administrativas
Fora da universidade tivemos também uma considerável experiência administrativa, sem pré na área da educação básica. Foram estas: no CREDE 12 de Quixadá, na Secretaria de Educação de Maranguape, na direção da UNDIME-CE e na Prefeitura de Capistrano, como secretário de Cultura em um momento de de Educação em outro.
3.6.2 – Experiência no CREDE 12
Já estávamos bem acostumados com prefeitura da UECE em 1996, quando a SEDUC lançou um edital para seleção de diretores dos Centros Regionais de Desenvolvimento da Educação CREDES. Fui tentado a concorrer e o fiz. Inscreveram-se 604 candidatos, passaram 92 na prova escrita. Estes se submeteram à entrevista por um grupo de professores da UECE, UFC, SEDUC acompanhados por um técnico da SEFAZ e do Conselho Estadual de Educação. Nesta segunda etapa 42 foram aprovados, dos quais 21 foram escolhidos pelo governador para exercerem o cargo de Diretor de CREDE. A nossa opção foi para Quixadá, fui escolhido.
O projeto que apresentamos na fase de entrevista, tinha como meta prioritária, a erradicação de 60% do analfabetismo na região. Porém a prática em nível de gestão mostrou outra realidade: O Analfabetismo é congênito de uma sociedade rural, com uma herança marcada fortemente pelo coronelismo e patriarcalismo. Há um consenso entre os analistas sociais que quanto menor é a concentração de renda e terra, maior é o índice de analfabetismo.
Estes dois fatores são responsáveis, em grande parte pela miséria econômica e social da nossa gente, aliada a uma política descompromissada com a melhoria da qualidade de vida do povo. Este contexto favoreceu ao endêmico problema do analfabetismo.
Combater o analfabetismo sem frear a sua fonte, ou seja, combatê-lo no nascedouro, impedindo que novos analfabetos surjam, é a melhor política. Ao lado desta trabalhando na alfabetização dos adultos. Como diz o prof. Antenor Naspolini, “é preciso fechar a torneira que jorra o analfabetismo, para poder pensar em eliminá-lo com segurança”. Sem fechar a “torneira”, quanto mais se alfabetizar adulto, surgem novos analfabetos oriundos do grande número de crianças fora da escola, por não tê-la ou por terem sido expulsos dela pela reprovação e outras coisas mais.
Neste sentido redefinimos nossa meta de reduzir o analfabetismo, trabalhando os analfabetos, para reduzi-lo, impedindo-os de surgirem em demasia. Isso através de uma ampla mobilização da sociedade, a partir da escola, partindo por diversos grupos sociais: Igrejas, Sindicatos, Prefeituras, Câmaras Municipais, Impressa falada e escrita e Ministério Público, para citar as principais.
Avançamos também na área do Ensino Fundamental e Médio. No Fundamental introduzimos o Ensino em Ciclos em cerca de 80% da rede estadual e estamos iniciando o Ciclo I na rede municipal. O Ciclo é uma forma de estruturação do ensino baseado no desenvolvimento físico, intelectual e cronológico do aluno.
Para implantar este programa tivemos que desenvolver uma série de projetos complementares, como o de capacitação docente, acompanhamento pedagógico, encontros regionais de modo a dar-lhe sustentabilidade. Para isso envolvemos do mais simples servidor do CREDE aos diretores de escola, sobretudo os da área pedagógica.
No Ensino Médio expandimos a rede, criando anexos onde não havia escola na região e transformando escola de ensino fundamental em médio. Tínhamos 6 escolas oferecendo curso médio em 96, em 2000 eram 11 entre escolas e anexos sendo três na zona rural e o Liceu de Quixadá.
Além desta política de cunho pedagógico, empreendemos uma política de gestão participativa onde os diretores, professores, funcionários, eram ouvidos em reuniões regionais e há um encontro mensal com as Secretárias Municipais de Educação para debatermos os problemas e encaminhamos soluções de forma coletiva ou individual, quando for o caso.
Outro aspecto que podemos destacar de nossa função como diretor do CREDE foram os cursos, seminários e encontros que realizamos. A primeira grande discussão foi sobre a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. (Lei 9394/96). A SEDUC promoveu 21 encontros regionais com pessoas especialistas em LDB, tais como Prof. Eudes Veras, Prof. Edgar Linhares, dentre outros. Após o nono encontro em Quixadá, Fevereiro de 97, realizamos 08 encontros nos municípios, desta feita nós próprios, outros membros da equipe e professores da FECLESC, discutindo a LDB e o FUNDEF - Fundo de Manutenção do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Lei 9424/96).
Não obstante estes encontros citados, participamos também, com todas as Secretárias Municipais de Educação, do encontro sobre o FUNDEF (PRASEN) promovido pelo FNDE em Fortaleza. Esta discussão da aplicação da nova legislação da educação em nosso país nos atualizou e nos deu bagagem, para inclusive, lecionar duas disciplinas em dois Cursos de Especialização sendo um da UECE e outro da UVA, ambos na área de política educacional.
No CREDE, tivemos a oportunidade de fazer um Curso de Formação dos dirigentes dos CREDES com uma equipe de professores da USP. Patrocinado pelo governo do Estado. Este curso de 80 h/a. foi muito importante, pois renovou nossos conhecimentos na área de planejamento estratégico e nos deu bagagem na área de gestão pública.
Registramos ainda Curso de Gestão Social promovido pela Casa Civil da Presidência da República, de 230 h/a que foi muito importante, sobretudo por nos atualizar nesta nova área de gerenciamento. O princípio básico é que o serviço público oferecido pelo governo não pode mais ser encarado como um serviço de governo e como tal o mais importante é o funcionário público que o gerencia, pois ele é estável, tem todos os direitos e o cidadão que espere e se quiser outro atendimento procure um serviço particular.
A Gestão Social encara o serviço público como uma prestação de serviço ao cidadão, pois ele é quem é o grande patrão. O serviço público tem que ser de qualidade. O cidadão deve ser respeitado e o servidor é um profissional, e que também merece respeito tanto do estado, como dos seus clientes. Nesta nova visão, todos saem ganhando. É também um pouco utópico, mas vai acontecendo.
O exercício da direção do CREDE está me proporcionou um formidável conhecimento. Foi uma experiência rica em todos os aspectos: na área das finanças pública, na área da gestão, na área pedagógica e, sobretudo de lidar com as diferenças. Diferenças nas escolas, na equipe de trabalho, entre os pais de alunos, enfim onde as contradições da sociedade afloram e temos que ter uma postura serena, algumas vezes de pai, outras de chefe, outras de orientador, outras de juiz, mas sempre buscando equilibrar o barco que se conduz, no caso o da educação.
A experiência na educação básica foi fundamental para compreender que a universidade deve ser sensível às demandas da educação básica, notadamente no aspecto da formação de profissional, mas também nos campos da pesquisa e da extensão universitárias.
3.6.2 – SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DE MARANGUAPE E PRESIDÊNCIA DA UNDIME CEARÁ
Saí do CREDE 12, com anuência do Secretário de Educação, Prof. Antenor Naspolini, para assumir a Secretaria de Educação de Maranguape. Foi outro grande desfio. Mas de forma resumida podemos dizer que ampliamos a educação de Maranguape em vários aspectos, com destaque para as seguintes ações:
1. Construção de 5 Centros de Educação Infantil;
2. Reforma de todas as escolas;
3. Ampliação de 5 escolas;
4. Agrupamento das escolas em escolas pólos;
5. Agrupamentos de escolas pólos em Centros Distritais de Educação;
6. Formação continuada de professores;
7. Informativo da Secretaria Municipal de Educação;
8. Conselho Municipal de Educação.
A experiência acumulada da UECE e do CREDE 12, o apoio da administração municipal, os recursos do FUNDEF, foram responsáveis pela razoável gestão na educação daquele município.
3.6.2 – PRESIDÊNCIA DA UNDIME-CE
A União dos Dirigentes Municipais de Educação é um importante órgão de articulação entre as secretarias municipais de educação e entre estas e os órgãos da esfera estadual e federal. Como presidente da UNDIME, conseguimos desenvolver um trabalho de articulação entre os Secretários, uma parceria constante com a Secretaria de Educação do Estado e UNICEF e no prol do Mandato. Também com a Assembléia Legislativa destacamos o projeto de autoria do então Deputado Ivo Gomes, Alfabetização na Idade Certa, iniciado no município de Sobral e expandindo para mais 60 municípios. Nesta fase deixamos a UNDIME por sairmos da Secretaria de Educação de Maranguape.
Durante todo esse período, na Prefeitura da UECE, no CREDE 12 e na Secretaria de Educação de Maranguape, nós nos afastamos da sala de aula na UECE. Tanto em Quixadá como em Fortaleza, no Campis do Itaperí, a partir de 2001, onde, assumimos disciplinas no Curso de História e no Curso de Pedagogia. Neste último, assumimos as disciplinas, História da Educação e História da Educação Brasileira.
4.0 – PRODUÇÃO CULTURAL
Nossa produção cultural inicia-se basicamente com cartas e pequenos artigos publicados em jornais. Depois enveredamos pela Literatura de cordel. Atualmente temos três livros publicados na área de História e continuamos a publicar, vez por outra um artigo no jornal.
4.1. Cartas e Artigos
Desde 1985 escrevo nas colunas de cartas dos jornais de Fortaleza. Também escrevo no Jornal do Leitor do Jornal O POVO, um suplemento que era publicado no aniversário do Jornal em 07 de janeiro. Hoje este tablóide é semanal. Também publiquei em jornais de Quixadá, da UECE e do SINDESP.
Meus pequenos artigos na sua maioria falam da Universidade. Em geral em defesa a Faculdade de Quixadá, também divulgando suas ações e importância. E sobre este tema propriamente dito, O Vestibular, A Residência Universitária, significaram a expansão para o Maciço de Baturité de sub-temas dentre os mais escritos e defendidos por mim. Além da FECLESC, comento sobre a interiorização do desenvolvimento, a escritora Rachel de Queiroz, o município de Capistrano, e por último as escolas públicas da região.
Busco nestes pequenos espaços divulgar a interiorização nos seus múltiplos aspectos, com destaque para a educação. Assim espero contribuir com a minha região e o meu estado.
4.2. Literatura de Cordel
A Literatura de Cordel sempre esteve presente em minha vida. Quando criança ouvia falar na história do Pavão Misterioso, nas histórias do João Grilo, nos 12 pares de França dentre outras.
Foi na Faculdade, quando fiz a cadeira de história de Arte com a Prof. Luiza Teodoro, que pude estudar um pouco sobre literatura de cordel. Fiquei fascinado. Aprendi um pouco de sua história e da métrica. Empolgado com a idéia, comecei a rascunhar algumas estrofes.
Parti para publicação com o livreto sobre o caldeirão do Beato José Lourenço, uma comunidade que existiu no Crato e que tinha práticas de comunismo primitivo, sob a égide de um beato, adepto de Pe. Cícero Romão Batista. Baseei-me na obra de Cláudio Aguiar. Este livreto chegou a ser impresso duas vezes cada totalizando 2.000 unidades nas duas tiragens. Apesar de não está fiel a métrica, ele se tornou importante por popularizar uma história um tanto desconhecida pela juventude, notadamente os alunos de 1o e 2o Graus.
Empolgado com o sucesso do Caldeirão escrevi sobre a Oligarquia Nogueira Acioli e, sobre a Sedição de Juazeiro do Norte, temas da História Cearense do início do século.
Após estes títulos escrevi sobre a Faculdade de Quixadá, quando da luta por sua legalização, nos seus 10 e 15 anos e sobre a residência universitária.
Talvez tivesse menos preocupado com a modalidade literária, do que com a sua capacidade de difundir os assuntos que abordava.
Há porém uma marca pessoal nesta minha pequena obra, é a paixão que devoto às coisas que faço. Apesar de ser literatura popular, sou dos que emprestam o maior respeito a ela, por isso a coloco no rol da minha modesta produção cultural.
LIVROS PUBLICADOS:
Formação Histórica de Capistrano – 1890 a 1984, Editora Brasil Tropical. Fortaleza-2003.
A Interiorização da UECE no Sertão Central – Editora da UECE- Fortaleza 2007.
Um Olhar Sobre Capistrano – História e geografia 5º ano – ( livro didático ) como co-autor – Editora Bagagem 2007.
5.0 – FORMAÇÃO CONTINUADA
5.1. Especialização em História do Ceará
Este curso me proporcionou uma visão mais aproximada das Ciências Humanas, sobretudo da História. Abrindo os horizontes para a pesquisa, haja vista não tê-la exercido na graduação, como é de praxe hoje.
Tivemos enquanto grupo a orientação competente e severa do ponto de vista científico do respeitável prof. Dr. Francisco José Loiola Rodrigues, um dos pouco doutores da UECE à época.
A pesquisa foi em cima da história local, uma oportunidade que via em dar uma colaboração à minha terra natal. Daí surgiu a nossa monografia cujo tema é História Política de Capistrano. Este trabalho versa sobre o município desde a sua formação no século passado, passando pela criação ao distrito, até o ano de 1984. Apesar de darmos uma ênfase à política, registramos também os aspectos sócios culturais da formação do município. É uma obra da história municipal. Tivemos como orientador o excelente prof. M. S. Tarcísio Santiago, cuja experiência e dedicação à pesquisa e à academia, é exemplar.
Além dessas considerações, vale ressaltar o convívio com os colegas, me introduzindo num meio acadêmico acima do anteriormente vivenciado, pois ainda não ingressara na universidade como docente.
5.2. Mestrado em Educação
Depois do vestibular que foi uma satisfação sem par, para mim, a aprovação no Mestrado foi, deveras fascinante, do ponto de vista de minha realização pessoal e acadêmica.
Tivemos sempre uma postura humilde frente a luta da vida. Talvez isso não seja bom do ponto de vista acadêmico, mas nos conduzimos assim, salvo algumas exceções. Por sabermos de nosso nível e dos nossos limites temos aceitado com serenidade as avaliações ou o resultado delas em nossa trajetória. E que cada vez mais a afirmação de Sócrates se afirma “Eu só sei que nada sei”. Tamanha é a vastidão do conhecimento.
Nesta perspectiva, alimentávamos uma esperança de sermos selecionados, achávamos difícil pela concorrência. A prova escrita do Mestrado tinha 70 pessoas, eram duas ou três salas de aula lotadas. A entrevista deixa a gente muito inseguro e ao mesmo tempo alegres, quando se é honesto e transparente. Foi uma experiência brilhante.
Se a Especialização em Métodos e Técnicas da Pesquisa Histórica foi boa, o Mestrado é claro, foi bem melhor. Me proporcionou segurança intelectual e perante os colegas maior deferência.
A crítica que faço ao Mestrado foi ter sido muito político, enquanto tendência pedagógica. Por outro lado nos proporcionou uma visão mais crítica da sociedade e da educação em particular.
Três doutores marcaram a minha passagem pelo Mestrado, pelo contato, pela atuação e dedicação. A professora Dra. Maria Nobre Damasceno, uma educadora de convicção firme na defesa dos excluídos, de uma formação acadêmica profunda e excessivamente séria e justa. Um segundo por ser o Coordenador do Curso à maior parte do período e também um educador que acredita naquilo que defende o prof. Ozir Tesser, ambos marxistas. O terceiro foi meu orientador, prof. Dr. Antônio Carlos, um educador, pesquisador tranqüilo, sem arrogância acadêmica, sério, de uma formação exemplar. Muito me ajudou na realização de pesquisa e elaboração da dissertação.
A pesquisa do Mestrado foi também sobre história local e é claro sobre uma experiência de Educação Popular, acontecida na minha região em Carqueija. Município de Capistrano.
5.3 OUTROS CURSOS
Além dos cursos acadêmicos vale a pena registrar mais dois cursos de aperfeiçoamento que fizemos no período em que éramos Secretário de Educação de Maranguape, foram eles:
Gestão Avançada, no Instituto AMANA KEI. Poucos são os profissionais e políticos que tem este curso no Ceará, os que fizeram fazem parte de um seleto grupo de executivos e políticos de projeção no estado do Ceará. Tive o privilégio de fazê-lo, quando estava na Secretaria de Educação de Maranguape. Este curso contribuiu, em muito para ampliar a minha visão de gestor, tornando-a mais global, mais abrangente.
Ainda na Secretaria de Educação de Maranguape, participei da Escola de Governantes do Ceará, concluindo o curso da 9ª turma daquela instituição liderada pelo Prof. Doutor Alberto Teixeira.
O curso da escola de governantes, além do aprendizado acadêmico enriqueceu os meus laços de amizade nos campos político, intelectual e empresarial, dada a diversidade de seus participantes.
6.0 – CONCLUSÃO
A minha trajetória escolar e profissional, proporcionou-me uma vasta experiência, sobretudo no trato com as pessoas. O sucesso de uma gestão em uma empresa ou instituição pública exige do dirigente saber tratar e, sobretudo ouvir as pessoas, tanto as de convívio interno, como as de relações externas. Neste novo desafio que nos submetemos, a nossa âncora será o dialogo, a negociação permanente, que tenha como resultado o bem da instituição UECE. Neste sentido a vivência que acumulamos, e os 22 anos de UECE a serem completados em 01 de abril deste ano, facilitarão em muito alcançarmos este desiderato.
Se por um lado elastecemos a nossa ação ao servirmos a secretaria de Educação básica e a secretarias municipais de Educação, como forma os casos de Maranguape e Capistrano, por outro lado em nenhum destes momentos nos afastamos da sala de aula, convivendo com colegas professores, estudantes e funcionários e com eles compartilhando problemas e soluções, sem pré buscando o melhor para a nossa querida UECE.
É com este sentimento, de dever cumprido até aqui, que nos lançamos para mais este desafio, na maturidade que os 51 anos de vida proporcionam a um ser humano. Vitorioso até aqui e vitorioso nesta empreitada, qualquer que seja o seu resultado final. Posto que a nossa maior vitória seja poder compartilhar com os protagonistas deste rico processo, as nossas propostas, e, sobretudo a nossa experiência.
Este foi um resumo de minha experiência, construída com aqueles que estiveram ao largo de minha trajetória, o que nos propomos a realizar no futuro está no plano de trabalho e será realizado se a comunidade universitária assim desejar e este desejo for confirmado por quem representa, legitimamente, o nosso povo, o governador do Estado.
Fortaleza, 11 de março de 2008.
Francisco Artur Pinheiro Alves
Candidato a reitor da UECE
SUMÁRIO
1.0 – TRAJETÓRIA ESCOLAR E ACADÊMICA 02
2.0 – EXPERIÊNCIAS NO MAGISTÉRIO: 1O E 2O GRAUS E
ENSINO SUPERIOR 04
2.1. Experiência na Escola Privada 04
2.2. Experiência na Escola Pública 04
2.3. Experiência no Ensino Superior 05
3.0 – PARTICIPAÇÃO EM GRUPOS DIVERSOS 11
3.1. Clube 04 (quatro) “S” 11
3.2. Experiência em Movimentos Extra Escolar, Comunitários e
Partidários no Escotismo 11
3.3. Outros Movimentos na Comunidade 12
3.4. Política Partidária 13
3.5. Experiência Profissional Não Docente 13
3.6. Outras Experiências Administrativas 14
4.0 – PRODUÇÃO CULTURAL 19
4.1. Cartas e Artigos 19
4.2. Literatura de Cordel 19
5.0 – FORMAÇÃO CONTINUADA 21
5.1. Especialização em História do Ceará 21
5.2. Mestrado em Educação 22
6.0 – CONCLUSÃO 24
[1] Quando nos referimos ao 1º e 2º graus, é por que estamos contextualizando historicamente o nível de ensino a que nos referimos. A lei 9394/96 modificou esta nomeclatura. Mas quando falamos da época, optamos por usar a nomeclatura de então.
[2] Parte desta história está registrada no livro A Interiorização da UECE no Sertão Central, de minha autoria, lançado pela editora da UECE em 2007.
domingo, 30 de março de 2008
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