domingo, 30 de março de 2008

PROF. MS. FRANCISCO ARTUR PINHEIRO ALVES

1.0 – TRAJETÓRIA ESCOLAR E ACADÊMICA

Como filho de professora primária, leiga e da zona rural do município de Capistrano-CE, fui alfabetizado na minha própria casa, onde funcionava uma escola isolada.
Com a fundação da escola Reunidas de Carqueija, minha mãe foi para aquele prédio. Ali fiz até o quarto ano primário (lei 4024). O 5o ano e a 1a Série ginasial, fiz em Capistrano. Com a reforma do ensino de 1971 (lei 5692) a 2a Série ginasial, passou a ser 6a Série do 1º grau, cursei-a em Fortaleza, numa escola noturna no Bairro José Walter. Daí até terminar o curso superior, sempre estudei à noite.
Nos cursos de 1o e 2o graus não tive participação no movimento estudantil. Não tinha tempo, trabalhava dois expedientes no centro de Fortaleza e vinha cansado para o colégio. Muitas vezes, até dormia em sala.
Foi na faculdade (1979) que participei do movimento estudantil, como representante do curso de História no Departamento, depois no Conselho Departamental do Centro de Humanidades da UECE e por último no CEPE - Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UECE, gestão do Pe. Luis Moreira. Com a criação do Centro Acadêmico de História nós fomos aos poucos nos politizando. Ainda tínhamos medo da repressão.
Mas o Centro Acadêmico fundado pelo companheiro Pedro Ivo, foi um passo bastante significativo. Eu atuei nas campanhas de três diretorias – a dele, a de Fernando e a de Beatriz Furtado, ex-secretária de comunicação da Prefeitura de Fortaleza. Foram eles que conseguiram fundar o DCE da UECE.
No último ano da faculdade fui ao o Pará pelo projeto Rondon. Lá fiz uma pesquisa histórica sobre o distrito (São José do Jabuti – município de Igarapé-Açu) esta experiência foi muito proveitosa para mim, no campo da História. No Projeto Rondon a nossa equipe era muito dinâmica. Empolgado com a possibilidade de escrever a primeira história de minha vida fiz uma pesquisa, que não se deteve em aprofundar os temas, mas levantou o problema e no final fizemos a publicação em mimeógrafo a álcool. (Não tenho cópia). Fiz pelo menos duas viagens de estudo, sendo uma no Cariri: Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha e outra por Recife/Olinda, visitando os monumentos históricos.
Ainda como estudante universitário, fui bolsista do SESC – Serviço Social do Comércio por dois anos. Na oportunidade lecionei no Supletivo do 1o e do 2o graus e no Curso Pré-Universitário para os comerciários. Via, naqueles alunos trabalhadores do comércio, um pouco da minha história. Estavam ali na esperança de evoluir na sua vida do ponto de vista educacional e profissional. A experiência do SESC foi bastante rica, tínhamos encontros, cursos, fazíamos seminários, foi um estágio bastante proveitoso.
Toda essa vivência me assegura afirmar, que apesar de ser uma entidade que aparentemente não tem compromisso com a educação e nem sua função principal é esta. Mas no período que passamos no SESC, testemunhamos certo avanço na questão da educação.
A condição de estagiário nos deixa muito eufórico no começo, mas um tédio invade o coração do estagiário no final do estágio por saber que será dispensado e muitos sem perspectivas de novo emprego.
Empolgado com a experiência do Supletivo, criei um Curso Supletivo, ao fundar o Instituto Educacional Professora Maria Júlia Barros no Bairro José Walter em Fortaleza. Teve duração efêmera devido às dificuldades de manutenção causadas pela inadimplência dos alunos e a falta de estrutura. Mas, como experiência foi bastante gratificante.

2.0 – EXPERIÊNCIA NO MAGISTÉRIO: 1º E 2º GRAUS E ENSINO SUPERIOR[1]

2.1. Experiência na Escola Privada

A minha atuação como professor começou, de fato, em 1981 no Colégio Oliveira Paiva, na condição de professor substituto. Um amigo meu se afastou espontaneamente para me proporcionar esta oportunidade. Tive que lecionar Sociologia, o problema é que ele era um excelente professor, de fácil comunicação, foi bem difícil substituí-lo, principalmente por ser um professor bom e querido pela turma. No entanto, com muito esforço e dedicação, conseguimos conquistar a turma. Trabalhamos também nos Colégios, Fênix Caixeral, Colégio Equipe e Ginásio Anchieta. Ensinávamos em todas as séries.
A passagem pela escola particular nos autoriza dizer que, apesar de enriquecedora, porque toda experiência que é rica para formação profissional é também de caráter bastante explorador. Somente na Fênix tivemos a carteira de trabalho assinada.
Por outro lado tem a questão da “Hierarquia” dos profissionais – por exemplo no Colégio Equipe quem era famoso – ensinava no Farias Brito – no Colégio Cearense etc. Estes eram melhor remunerados, nós, que estávamos começando, éramos os que ganhavam menos.
Embora muitas vezes fossem os que segurassem a “barra” nos cursos de 1o grau e séries iniciais 2o grau. Embora critique esta situação, lembro-me que na universidade americana é assim. Segundo depoimento que tivemos na Universidade de Miami, os profissionais mais famosos do direito, por exemplo, são pagos com salários altíssimos, para se manterem como professor na universidade. Ou seja, é o mercado que controla o salário do professor. Concluo dizendo que já nessa época (1983) tinha ensinado da 5a Série do 1o Grau ao Pré-Vestibular passando por todas as séries.

2.2. Experiência na Escola Pública

O concurso da Prefeitura para Orientador de Aprendizagem em 1984 foi uma vitória para mim. Na primeira fase fiquei no 40º lugar. Fomos fazer o curso de orientador da TVE dos 100 (cem) primeiros colocados, fiquei na sexta colocação geral nesta 2ª fase. A avaliação deste curso foi muito contestada. Cada um avaliava o colega e fazia uma seleção. Daí era tirada uma média, que com o desempenho do aluno e a avaliação do professor se faria uma média geral.
Logo após a divulgação dos candidatos fomos chamados e assumimos a sala de aula na Escola de 1o Grau Ari de Sá Cavalcante no Bairro José Walter.
A realidade da sala de aula é bem diferente da teoria, aprendida no curso. No caso específico de orientador de aprendizagem, era lotado numa turma onde devia orientar todas as disciplinas. O que ocorria na realidade é que o orientador explorava mais a disciplina de sua formação.
Tive, portanto, muito trabalho e não sei se meu trabalho como orientador foi melhor do que como professor de ensino regular. Mas o nível de desinibição dos alunos, isso eu posso afirmar era muito melhor que hoje.
A minha última experiência na escola pública foi no Colégio Estadual Otávio Farias, tirei o primeiro lugar na seleção do Estado (1984). Só havia uma vaga para aquela escola, a alegria de ter passado foi dupla, por entrar no quadro do magistério do Estado e por aquela escola está localizada no bairro onde morava. Como professor de história, procurei dar tudo de mim para fazer um bom trabalho, na sala de aula, sendo responsável; cumprindo com o meu horário e incentivando a turma a aprender sempre.
Fora da sala de aula, nesta escola, participamos de um movimento de moralização da escola. Lutamos também, contra a interferência política externa e conseguimos realizar uma das primeiras eleições em escola pública do estado e a nomeação do Diretor mais votado.

2.3. Experiência no Ensino Superior

Fiz concurso para a Faculdade de Quixadá (UECE), área de História, em 1983. Fui chamado em 1986, após um longo período de visitas, reuniões e reivindicações dos professores e das comunidades locais para contratação dos professores concursados.
Os dois primeiros anos de atuação como professor universitário foram muito difíceis. É diferente você dar aula na educação básica e passar a fazê-lo na universidade. Foi um período de adaptação. Depois é que passei a ter mais consciência do meu papel e mais desenvoltura na sala de aula, apesar de encontrar dificuldade, principalmente com relação a fontes de pesquisas na época na cadeira história do Ceará.
Com o tempo me dispus a participar do movimento político da universidade, me candidatando a vice-direção.
Mas a análise que faço de minha atuação é que, modéstia à parte, evoluiu. Na sala de aula me desprendi daqueles trabalhos individuais nem sempre verdadeiros ou autênticos (refiro-me aos antigos NTIs) para colocar todo grupo numa pesquisa sobre as fontes históricas do Sertão Central (Quixadá, Quixeramobim, Senador Pompeu), claro que dentro das limitações que o tempo impõe e que a turma tem, e da sua disponibilidade de tempo. Mas partindo do pressuposto que, a partir da família já há participação de um grupo social, ou da própria história da família de cada um (história de vida), ou da escola que participam etc.(história local) de forma que sempre há como reconstruir esta memória histórica. Assim fazendo, nossos alunos tiveram oportunidade de recriar sua própria história, a história da sua gente da sua comunidade que é parte da história do Ceará.
Quando por força das circunstâncias, tive que assumir a cadeira de História das Artes, fiz com a turma a I MAPUQ (Mostra de Artes Plásticas da UECE – Quixadá). Foi um sucesso relativo. Na vice-direção juntamente com um grupo de professores coordenei a MAPUQ, com uma dimensão muito mais ampla.
Além da MAPUQ que teve 08 edições, tive a oportunidade de liderar um movimento junto a estudantes do Maciço de Baturité e Sertão Central, em prol da construção de uma Residência Universitária em Quixadá. Este movimento ultrapassou o período em que estive na vice-direção sendo concretizado na minha gestão como Diretor. Ainda na vice-direção, tivemos oportunidades de elaborar uma proposta de Regimento para a Faculdade e que serviu de modelo para todas as Unidades do Interior da UECE, em vigor até a última reforma do estatuto da UECE.
A última experiência como vice-diretor foi presidir a comissão do Concurso Público de Provas e Títulos que ocorreu na Faculdade em 1991. Foi uma experiência muita rica e que me proporcionou um grande aprendizado na área administrativa da universidade.
No início de 1992. Fui incentivado a disputar a Direção. Fui eleito com uma margem de 90% dos votos válidos, assumindo a direção em junho de 92 numa crise da Faculdade, principalmente por falta de professor. Em agosto conseguimos a contratação de 14 professores do concurso já realizado. Terminamos o mandato com cerca de quatro dezenas de professores todos concursados.

2.3.1 Direção da FECLESC

Fui eleito diretor da FECLESC para o quadriênio 1992 a 1996. A direção da FECLESC nos deu oportunidade de realizarmos um sonho acalentado há muito tempo; a criação de uma unidade da UECE em Baturité. Por sermos de Capistrano, conhecíamos o potencial daquela região e como tal entendíamos que poderia ter uma Faculdade para alavancar a educação e o desenvolvimento local. Ao lado de muitos companheiros dentre eles a professora Fabíola Barrocas Tavares, Inácio Silveira e João Batista, levamos o movimento à frente, mobilizamos todos os prefeitos, os vereadores e lideranças locais. Com o apoio do reitor da UECE, prof. Paulo de Melo Jorge Filho, tivemos este movimento vitorioso.
O mesmo aconteceu em Senador Pompeu, só que nesta cidade, fomos chamados pelos prefeitos da Região, liderados pelo então prefeito Marcondes Borges criávamos assim dois Campi para a FECLESC. O do Maciço de Baturité e o do Sertão Central II, hoje em pleno funcionamento.
As dificuldades financeiras e as limitações da burocracia eram muitas. Após discutirmos a importância de Institutos como canal de interlocução da Universidade com a Comunidade colocamos em discussão uma proposta de nossa autoria de criação do Instituto de Ciências e Tecnologia do Sertão Central, aprovado pelo Conselho Departamental da FECLESC e serviu de modelo para quatro outros na UECE a saber: Instituto de Educação, Ciências e Tecnologia do Maciço do Baturité – IMBA. Instituto de Educação, Ciências e Tecnologia do Sertão Central II – IECT em Senador Pompeu. Instituto de Educação, Ciências e Tecnologia do Vale do Curú em Pentecoste e Instituto de Educação, Ciências e Tecnologia dos Inhamuns em Tauá, todos com o objetivo de dar suporte às Unidades da UECE nestes locais.
Podemos registrar como relevantes em nossa gestão à frente da direção da FECLESC, além de sua expansão geográfica com os Campi e Administrativo-financeira com os institutos, a expansão física, com a construção de salas de aula, reforma no prédio, a criação do curso de Letras que após um longo processo de elaboração do Projeto para aprovação no CEPE e a transformação do Curso de Ciências – licenciatura curta em Licenciatura Plena, com duas habilitações uma em Química e Biologia outra em Física e Matemática.
É digno de registro a aprovação no CEPE do Curso de Especialização em História do Ceará, e de um Curso de Saúde Pública que promovemos na FECLESC, formando profissionais nestas áreas. E para concluir esta fase, gostaria de registrar a proposta de Concessão do Título de Doutor Honoris Causa à escritora Rachel de Queiroz que foi apresentada por mim ao Conselho Universitário e aprovado por unanimidade. Este título foi entregue em Quixadá, numa sessão solene do Consu com a presença de todos os seus membros. Foi uma festa muito bonita.
A direção de uma faculdade é algo muito complexo. Procurei superar minhas limitações e as limitações financeiras e administrativas, com o compromisso e a dedicação. Realizamos na FECLESC, várias atividades que temos satisfação em resgatar. Festival de Cultura Popular, em várias edições, dentre elas duas com destaque especial, a que teve a participação do poeta Patativa do Assaré e a que participou o poeta e apresentador Carneiro Portela. Mas todos tiveram uma aceitação muito boa e uma participação relevante da maioria dos cantadores de viola da região. As Feiras de Ciências que já existiam, foram ampliadas e no esporte tivemos oportunidade de sermos campeões dos Jogos das Faculdades do Interior em 1995.
Todos estes momentos foram registrados e na FECLESC e em pequenos artigos e cartas que publicamos em jornais do estado, e nos informativos da FECLESC, da UECE, cujos principais temas selecionamos para produção cultural requerida para esta seleção.[2]
Além disso, foram cursos, minicursos, seminários, encontros, que participamos como diretor ou professor ao longo da nossa passagem por aquela colenda instituição de ensino superior, da qual temos orgulho de ter pertencido aos seus quadros.
A direção da FECLESC nos proporcionou muitas oportunidades. A primeira foi a possibilidade de conviver com a elite administrativa da Universidade e aprender muito sobre gestão universitária. Mas, sobretudo as viagens de visitas as Universidades do Brasil e dos E.U.A. Conhecemos as principais Universidades e Faculdades da Flórida em estágio do Curso de Especialização em Gestão e Liderança Universitária. Conhecemos também, juntamente com mais 16 colegas da UECE, as mais destacadas Universidades do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul o que nos permitiu ter uma visão mais ampla da Universidade.

2.3.2 – CANDIDATURA A VICE-REITOR DA EUCE

No final do mandato de diretor da FECLESC em 1996, submeti-me à eleição de vice-reitor da UECE, concorrendo livremente, sem formalização de chapa com reitor, à época isso era possível, pois o estatuto da universidade permitia. O resultado foi bastante favorável, pois em uma campanha em que o único material de divulgação era uma xérox de uma cartaz tamanho ofício e um panfleto com as propostas, acabei ocupando o terceiro lugar na lista sêxtupla. A minha atuação com diretor e na campanha como candidato a vice-reitor fizeram com que os professores Manasses Fonteles e Assis Araripe, eleitos reitor e vice-reitor, me convidassem para assumir a prefeitura da UECE em 1996.

2.3.3 – PREFEITURA DA UECE

Antes de assumir o cargo de prefeito, pude colaborar como assessor da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis. Ali fiquei responsável pelo R.U. (Restaurante Universitário) por trinta dias. Foi quando o Professor Araripe vice-reitor, me convidou para assumir a prefeitura da UECE. Nosso período na prefeitura foi breve, de agosto a novembro de 1997.
Foi um grande desafio. A prefeitura vinha de uma crise intensa, seus servidores estavam desestimulados e era um local desvalorizado. Após um trabalho minucioso, conversando sempre com os servidores, levantando-lhes a auto estima, conseguimos melhorar os serviços prestados à Comunidade Ueceana por aquele órgão.
Com uma equipe dedicada procuramos reduzir as despesas e maximizar os serviços, procurando dar-lhe uma melhor qualidade. Isso foi possível, a partir da elaboração do primeiro Planejamento Estratégico da prefeitura da UECE. Esboçávamos até as linhas mestras de ação da prefeitura, definindo-lhe a missão, visão de futuro, metas e estratégias de ação.
O trabalho teve a participação dos diversos segmentos do órgão, o apoio e Coordenação da Pró-Reitoria de Planejamento da UECE, na pessoa da professora Socorro Osterne.

2.3.4 – ATUAÇÃO DOCENTE ATUAL

A prefeitura foi o último cargo administrativo que exerci na UECE. Continuei como membro do Conselho Diretor até o final do mandato e daí em diante minha atuação basicamente foi na sala de aula e desenvolvendo dois projetos, sendo um de pesquisa intitulado O Bispo de Maura e a Fundação da Igreja Católica Apostólica Brasileira e outro de extensão: Histórico e Mapeamento Cultural dos Reisados de Capistrano.
Atualmente leciono as disciplinas História da Educação e História da Educação Brasileira no Curso de Pedagogia e Ação Educativa Patrimonial no curso de História no Campus do Itaperi, nos turnos tarde e

3.0 – PARTICIPAÇÃO EM GRUPOS SOCIAIS DIVERSOS

3.1 – Clube 04 (quatro) “S”

A minha primeira participação em grupo social fora a escola se deu na década de 1960, na localidade de Carqueija Município de Capistrano. Foi o Clube 04 (quatro) “S”. Este movimento chegou à Carqueija através da Arquidio-cese de Fortaleza que tinha uma propriedade na localidade e desenvolveu um amplo trabalho comunitário: Escolas Reunidas de Carqueija, Clube de Mães, Cooperativa e para a juventude o Clube 04 (quatro) “S”.
Este grupo sob a orientação do Governo Militar com apoio dos E.U.A,, através da USAID/ANCAR, ao que me parece hoje, tinha como lema: Saber, Sentir, Saúde, Servir.

3.2 – Experiência em Movimentos Extra Escolar, Comunitários e Partidários no Escotismo

Em Fortaleza começamos a fazer parte de movimento de juventude em 1973, apesar de trabalhar diariamente e estudar à noite. Como católico praticante através de contato com a paróquia, começamos a participar de um grupo de jovens que se denominava Movimento de Juventude Êxodos.
Neste grupo desenvolvemos atividades teatrais, apesar de não ser artista, ficava no apoio, infra-estrutura. Fundamos um jornalzinho “Missa Lôba” uma alusão à missa como culto da igreja e a loba da lenda da fundação de Roma, por ser igreja romana. Este jornal foi o início da desagregação entre o grupo e os padres. No VIII número o jornal parou. As condições eram difíceis, os padres queriam intervir no jornal. Nós não permitimos e criou-se um clima de tensão, tendo sido o princípio da desagregação do grupo.
Neste grupo fizemos ainda “Feira de Arte Popular”, com muito sucesso, uma peça – A Paixão de Cristo, que foi apresentada na igreja, etc. Fui coordenador do grupo neste período. A vivência no grupo de jovem é muito importante politicamente, mesmo sem ter àquela época, nenhuma consciência deste feito. Não questionávamos o problema político em si.
Neste mesmo período comecei a participar do grupo de Escoteiro Cristo Rei, vizinho ao Colégio Militar. Isso através de um colega que ali morava ter ido residir em José Walter. A participação da “turma” do nosso bairro no grupo foi tamanha, que conseguimos transferir a sede do grupo para o nosso bairro.
O grupo era tudo em termos de realização para mim e para os meus colegas. O fato de acampar, o contato com a natureza, me fascinava. E como escoteiro ia ter a liberdade de passar fins de semanas acampando. No período que ficava desempregado, o movimento escoteiro preenchia muito o meu tempo. Mesmo trabalhando e estudando conseguia articular o grupo e viajar, às vezes nos fins de semanas, nas férias do trabalho eram os grandes acampamentos. Ocupei vários postos no movimento: Fui escoteiro, monitor, chefe de tropa de escoteiro e chefe de grupo e por último Comissário Distrital – responsável por todos os grupos da capital.
O que mais me desencantou no movimento escoteiro mesmo foi ao ter contato com a história quando vemos a questão do neocolonialismo na África, e que BADEM POWEL fundador do escotismo esteve a serviço de uma colonização que foi um afronto, uma violência ao povo africano e não um mito como aprendi no escotismo. Isso gostaria de ressaltar. Mas uma experiência enriquecedora.

3.3. Outros Movimentos na Comunidade

Além de participar do escotismo, no qual atuava como sendo o grupo da comunidade, e do Movimento de Juventude Êxodo, fiz parte de alguns debates sobre a problemática da comunidade no Centro Social Urbano Adauto Bezerra NO BAIRRO José Walter, como também pelo grupo escoteiro, participei sempre das festividades juninas no bairro, com barracas típicas etc, ponto mais alto de nossos festejos juninos.
Na minha atuação no C.S.U. me liguei a um grupo que pretendia fazer um conselho que integrasse os grupos vivos da comunidade – Conselho Geral de Integração Comunitária. A fase mais rica deste conselho foi durante sua formação, diretoria provisória e discussão dos seus estatutos. Após a feitura, discussão e aprovação dos estatutos, parece ter esfriado a discussão do assunto e o conselho praticamente parou.
Também contribuiu para isso os interesses pessoais, o não prevalecimento de interesse de nenhum grupo especificamente. Ao que parece havia tentativa de controle de um grupo sobre as decisões, não conseguindo impor suas idéias, caí. Mas foi uma tentativa local de organização de grupos em federação, como hoje é muito comum. Outra vivência foi um jornalzinho livre que fundamos: Pé no Chão – a falta de estruturas fez com que só saíssem dois números. Este jornalzinho era de cunho político e se propunha a questionar os problemas da comunidade.

3.4. Política Partidária

Participamos, no município de Capistrano, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB até 1983. Em 1982, trabalhamos na campanha política tanto a nível estadual pró Mauro Benevides e Dorian Sampaio, como a nível local para prefeito e vereador do município, Com a entrada do ex-governador Gonzaga Mota no partido e da junção com o Partido Popular, a saída de muitos autênticos oposicionistas, o PMDB perdeu aquele ímpeto de partido de oposição se acomodando à situação com negociações as mais espúrias. Neste momento me desliguei do partido transferindo o título para Fortaleza.
Desde 2001 sou filiado ao Partido Verde, onde presido a Comissão Executiva Municipal do partido na cidade de Capistrano.

3.5. Experiência Profissional Não Docente

Meu primeiro trabalho foi ainda criança, auxiliando os meus pais na agricultura, apanhando castanha de cajú etc. E no Clube Quatro “S” tinha o meu próprio, conforme já comentei.
Em Capistrano colocávamos água em animal (jumento) para alguns vizinhos. Em Fortaleza, quando aprendemos a andar na cidade passamos a exercer tarefas que era comum aos meninos: “fazer mandados”. Em 1982/83, por exemplo, levava almoço para alguns trabalhadores que residindo no bairro, trabalhavam no centro de Fortaleza e daí surgiu a oportunidade do subemprego. Fui trabalhar como contínuo num atelier de pintura de propaganda denominado – Aleite Placas. Era contínuo. Daí é que surgiu a colocação na empresa RELUX CONSERVADORA E SERVIÇOS LTDA., a diferença é que nesta empresa a carteira profissional era assinada.
Mas o meu melhor emprego foi na Indústria Del Rio. Passei naquela empresa, quase seis anos. Sempre estudando à noite. Como almoçava sempre no local de trabalho, utilizava este horário para estudar.
O trabalho nas empresas particulares, quer no terceiro setor, quer na indústria, é sempre muito duro Não há nas empresas o menor interesse pelo progresso dos seus funcionários. A não ser quando são cursos de aperfeiçoamentos técnicos de imediato aproveitamento na empresa.
Senti-me muito marginalizado, desvalorizado, com relação ao curso que fazia na universidade. Antes de terminar saí do emprego e fui procurar ensinar. Mas a bem verdade não participei de movimento sindical. E quando tomei consciência de minha realidade saí da empresa.
Contudo, a vivência nestas empresas contribuiu, em muito, para a minha formação profissional, mesmo como educador, visto que o regime de trabalho nelas imposto me faz estar sempre disposto ao trabalho – quer da sala de aula quer da pesquisa enfim, considero-me mesmo um trabalhador. O trabalho me realiza.

3.6. Outras Experiências Administrativas

Fora da universidade tivemos também uma considerável experiência administrativa, sem pré na área da educação básica. Foram estas: no CREDE 12 de Quixadá, na Secretaria de Educação de Maranguape, na direção da UNDIME-CE e na Prefeitura de Capistrano, como secretário de Cultura em um momento de de Educação em outro.

3.6.2 – Experiência no CREDE 12

Já estávamos bem acostumados com prefeitura da UECE em 1996, quando a SEDUC lançou um edital para seleção de diretores dos Centros Regionais de Desenvolvimento da Educação CREDES. Fui tentado a concorrer e o fiz. Inscreveram-se 604 candidatos, passaram 92 na prova escrita. Estes se submeteram à entrevista por um grupo de professores da UECE, UFC, SEDUC acompanhados por um técnico da SEFAZ e do Conselho Estadual de Educação. Nesta segunda etapa 42 foram aprovados, dos quais 21 foram escolhidos pelo governador para exercerem o cargo de Diretor de CREDE. A nossa opção foi para Quixadá, fui escolhido.
O projeto que apresentamos na fase de entrevista, tinha como meta prioritária, a erradicação de 60% do analfabetismo na região. Porém a prática em nível de gestão mostrou outra realidade: O Analfabetismo é congênito de uma sociedade rural, com uma herança marcada fortemente pelo coronelismo e patriarcalismo. Há um consenso entre os analistas sociais que quanto menor é a concentração de renda e terra, maior é o índice de analfabetismo.
Estes dois fatores são responsáveis, em grande parte pela miséria econômica e social da nossa gente, aliada a uma política descompromissada com a melhoria da qualidade de vida do povo. Este contexto favoreceu ao endêmico problema do analfabetismo.
Combater o analfabetismo sem frear a sua fonte, ou seja, combatê-lo no nascedouro, impedindo que novos analfabetos surjam, é a melhor política. Ao lado desta trabalhando na alfabetização dos adultos. Como diz o prof. Antenor Naspolini, “é preciso fechar a torneira que jorra o analfabetismo, para poder pensar em eliminá-lo com segurança”. Sem fechar a “torneira”, quanto mais se alfabetizar adulto, surgem novos analfabetos oriundos do grande número de crianças fora da escola, por não tê-la ou por terem sido expulsos dela pela reprovação e outras coisas mais.
Neste sentido redefinimos nossa meta de reduzir o analfabetismo, trabalhando os analfabetos, para reduzi-lo, impedindo-os de surgirem em demasia. Isso através de uma ampla mobilização da sociedade, a partir da escola, partindo por diversos grupos sociais: Igrejas, Sindicatos, Prefeituras, Câmaras Municipais, Impressa falada e escrita e Ministério Público, para citar as principais.
Avançamos também na área do Ensino Fundamental e Médio. No Fundamental introduzimos o Ensino em Ciclos em cerca de 80% da rede estadual e estamos iniciando o Ciclo I na rede municipal. O Ciclo é uma forma de estruturação do ensino baseado no desenvolvimento físico, intelectual e cronológico do aluno.
Para implantar este programa tivemos que desenvolver uma série de projetos complementares, como o de capacitação docente, acompanhamento pedagógico, encontros regionais de modo a dar-lhe sustentabilidade. Para isso envolvemos do mais simples servidor do CREDE aos diretores de escola, sobretudo os da área pedagógica.
No Ensino Médio expandimos a rede, criando anexos onde não havia escola na região e transformando escola de ensino fundamental em médio. Tínhamos 6 escolas oferecendo curso médio em 96, em 2000 eram 11 entre escolas e anexos sendo três na zona rural e o Liceu de Quixadá.
Além desta política de cunho pedagógico, empreendemos uma política de gestão participativa onde os diretores, professores, funcionários, eram ouvidos em reuniões regionais e há um encontro mensal com as Secretárias Municipais de Educação para debatermos os problemas e encaminhamos soluções de forma coletiva ou individual, quando for o caso.
Outro aspecto que podemos destacar de nossa função como diretor do CREDE foram os cursos, seminários e encontros que realizamos. A primeira grande discussão foi sobre a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. (Lei 9394/96). A SEDUC promoveu 21 encontros regionais com pessoas especialistas em LDB, tais como Prof. Eudes Veras, Prof. Edgar Linhares, dentre outros. Após o nono encontro em Quixadá, Fevereiro de 97, realizamos 08 encontros nos municípios, desta feita nós próprios, outros membros da equipe e professores da FECLESC, discutindo a LDB e o FUNDEF - Fundo de Manutenção do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Lei 9424/96).
Não obstante estes encontros citados, participamos também, com todas as Secretárias Municipais de Educação, do encontro sobre o FUNDEF (PRASEN) promovido pelo FNDE em Fortaleza. Esta discussão da aplicação da nova legislação da educação em nosso país nos atualizou e nos deu bagagem, para inclusive, lecionar duas disciplinas em dois Cursos de Especialização sendo um da UECE e outro da UVA, ambos na área de política educacional.
No CREDE, tivemos a oportunidade de fazer um Curso de Formação dos dirigentes dos CREDES com uma equipe de professores da USP. Patrocinado pelo governo do Estado. Este curso de 80 h/a. foi muito importante, pois renovou nossos conhecimentos na área de planejamento estratégico e nos deu bagagem na área de gestão pública.
Registramos ainda Curso de Gestão Social promovido pela Casa Civil da Presidência da República, de 230 h/a que foi muito importante, sobretudo por nos atualizar nesta nova área de gerenciamento. O princípio básico é que o serviço público oferecido pelo governo não pode mais ser encarado como um serviço de governo e como tal o mais importante é o funcionário público que o gerencia, pois ele é estável, tem todos os direitos e o cidadão que espere e se quiser outro atendimento procure um serviço particular.
A Gestão Social encara o serviço público como uma prestação de serviço ao cidadão, pois ele é quem é o grande patrão. O serviço público tem que ser de qualidade. O cidadão deve ser respeitado e o servidor é um profissional, e que também merece respeito tanto do estado, como dos seus clientes. Nesta nova visão, todos saem ganhando. É também um pouco utópico, mas vai acontecendo.
O exercício da direção do CREDE está me proporcionou um formidável conhecimento. Foi uma experiência rica em todos os aspectos: na área das finanças pública, na área da gestão, na área pedagógica e, sobretudo de lidar com as diferenças. Diferenças nas escolas, na equipe de trabalho, entre os pais de alunos, enfim onde as contradições da sociedade afloram e temos que ter uma postura serena, algumas vezes de pai, outras de chefe, outras de orientador, outras de juiz, mas sempre buscando equilibrar o barco que se conduz, no caso o da educação.
A experiência na educação básica foi fundamental para compreender que a universidade deve ser sensível às demandas da educação básica, notadamente no aspecto da formação de profissional, mas também nos campos da pesquisa e da extensão universitárias.

3.6.2 – SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DE MARANGUAPE E PRESIDÊNCIA DA UNDIME CEARÁ

Saí do CREDE 12, com anuência do Secretário de Educação, Prof. Antenor Naspolini, para assumir a Secretaria de Educação de Maranguape. Foi outro grande desfio. Mas de forma resumida podemos dizer que ampliamos a educação de Maranguape em vários aspectos, com destaque para as seguintes ações:
1. Construção de 5 Centros de Educação Infantil;
2. Reforma de todas as escolas;
3. Ampliação de 5 escolas;
4. Agrupamento das escolas em escolas pólos;
5. Agrupamentos de escolas pólos em Centros Distritais de Educação;
6. Formação continuada de professores;
7. Informativo da Secretaria Municipal de Educação;
8. Conselho Municipal de Educação.

A experiência acumulada da UECE e do CREDE 12, o apoio da administração municipal, os recursos do FUNDEF, foram responsáveis pela razoável gestão na educação daquele município.

3.6.2 – PRESIDÊNCIA DA UNDIME-CE

A União dos Dirigentes Municipais de Educação é um importante órgão de articulação entre as secretarias municipais de educação e entre estas e os órgãos da esfera estadual e federal. Como presidente da UNDIME, conseguimos desenvolver um trabalho de articulação entre os Secretários, uma parceria constante com a Secretaria de Educação do Estado e UNICEF e no prol do Mandato. Também com a Assembléia Legislativa destacamos o projeto de autoria do então Deputado Ivo Gomes, Alfabetização na Idade Certa, iniciado no município de Sobral e expandindo para mais 60 municípios. Nesta fase deixamos a UNDIME por sairmos da Secretaria de Educação de Maranguape.
Durante todo esse período, na Prefeitura da UECE, no CREDE 12 e na Secretaria de Educação de Maranguape, nós nos afastamos da sala de aula na UECE. Tanto em Quixadá como em Fortaleza, no Campis do Itaperí, a partir de 2001, onde, assumimos disciplinas no Curso de História e no Curso de Pedagogia. Neste último, assumimos as disciplinas, História da Educação e História da Educação Brasileira.

4.0 – PRODUÇÃO CULTURAL

Nossa produção cultural inicia-se basicamente com cartas e pequenos artigos publicados em jornais. Depois enveredamos pela Literatura de cordel. Atualmente temos três livros publicados na área de História e continuamos a publicar, vez por outra um artigo no jornal.

4.1. Cartas e Artigos
Desde 1985 escrevo nas colunas de cartas dos jornais de Fortaleza. Também escrevo no Jornal do Leitor do Jornal O POVO, um suplemento que era publicado no aniversário do Jornal em 07 de janeiro. Hoje este tablóide é semanal. Também publiquei em jornais de Quixadá, da UECE e do SINDESP.
Meus pequenos artigos na sua maioria falam da Universidade. Em geral em defesa a Faculdade de Quixadá, também divulgando suas ações e importância. E sobre este tema propriamente dito, O Vestibular, A Residência Universitária, significaram a expansão para o Maciço de Baturité de sub-temas dentre os mais escritos e defendidos por mim. Além da FECLESC, comento sobre a interiorização do desenvolvimento, a escritora Rachel de Queiroz, o município de Capistrano, e por último as escolas públicas da região.
Busco nestes pequenos espaços divulgar a interiorização nos seus múltiplos aspectos, com destaque para a educação. Assim espero contribuir com a minha região e o meu estado.

4.2. Literatura de Cordel

A Literatura de Cordel sempre esteve presente em minha vida. Quando criança ouvia falar na história do Pavão Misterioso, nas histórias do João Grilo, nos 12 pares de França dentre outras.
Foi na Faculdade, quando fiz a cadeira de história de Arte com a Prof. Luiza Teodoro, que pude estudar um pouco sobre literatura de cordel. Fiquei fascinado. Aprendi um pouco de sua história e da métrica. Empolgado com a idéia, comecei a rascunhar algumas estrofes.
Parti para publicação com o livreto sobre o caldeirão do Beato José Lourenço, uma comunidade que existiu no Crato e que tinha práticas de comunismo primitivo, sob a égide de um beato, adepto de Pe. Cícero Romão Batista. Baseei-me na obra de Cláudio Aguiar. Este livreto chegou a ser impresso duas vezes cada totalizando 2.000 unidades nas duas tiragens. Apesar de não está fiel a métrica, ele se tornou importante por popularizar uma história um tanto desconhecida pela juventude, notadamente os alunos de 1o e 2o Graus.
Empolgado com o sucesso do Caldeirão escrevi sobre a Oligarquia Nogueira Acioli e, sobre a Sedição de Juazeiro do Norte, temas da História Cearense do início do século.
Após estes títulos escrevi sobre a Faculdade de Quixadá, quando da luta por sua legalização, nos seus 10 e 15 anos e sobre a residência universitária.
Talvez tivesse menos preocupado com a modalidade literária, do que com a sua capacidade de difundir os assuntos que abordava.
Há porém uma marca pessoal nesta minha pequena obra, é a paixão que devoto às coisas que faço. Apesar de ser literatura popular, sou dos que emprestam o maior respeito a ela, por isso a coloco no rol da minha modesta produção cultural.

LIVROS PUBLICADOS:

Formação Histórica de Capistrano – 1890 a 1984, Editora Brasil Tropical. Fortaleza-2003.
A Interiorização da UECE no Sertão Central – Editora da UECE- Fortaleza 2007.
Um Olhar Sobre Capistrano – História e geografia 5º ano – ( livro didático ) como co-autor – Editora Bagagem 2007.

5.0 – FORMAÇÃO CONTINUADA

5.1. Especialização em História do Ceará

Este curso me proporcionou uma visão mais aproximada das Ciências Humanas, sobretudo da História. Abrindo os horizontes para a pesquisa, haja vista não tê-la exercido na graduação, como é de praxe hoje.
Tivemos enquanto grupo a orientação competente e severa do ponto de vista científico do respeitável prof. Dr. Francisco José Loiola Rodrigues, um dos pouco doutores da UECE à época.
A pesquisa foi em cima da história local, uma oportunidade que via em dar uma colaboração à minha terra natal. Daí surgiu a nossa monografia cujo tema é História Política de Capistrano. Este trabalho versa sobre o município desde a sua formação no século passado, passando pela criação ao distrito, até o ano de 1984. Apesar de darmos uma ênfase à política, registramos também os aspectos sócios culturais da formação do município. É uma obra da história municipal. Tivemos como orientador o excelente prof. M. S. Tarcísio Santiago, cuja experiência e dedicação à pesquisa e à academia, é exemplar.
Além dessas considerações, vale ressaltar o convívio com os colegas, me introduzindo num meio acadêmico acima do anteriormente vivenciado, pois ainda não ingressara na universidade como docente.

5.2. Mestrado em Educação

Depois do vestibular que foi uma satisfação sem par, para mim, a aprovação no Mestrado foi, deveras fascinante, do ponto de vista de minha realização pessoal e acadêmica.
Tivemos sempre uma postura humilde frente a luta da vida. Talvez isso não seja bom do ponto de vista acadêmico, mas nos conduzimos assim, salvo algumas exceções. Por sabermos de nosso nível e dos nossos limites temos aceitado com serenidade as avaliações ou o resultado delas em nossa trajetória. E que cada vez mais a afirmação de Sócrates se afirma “Eu só sei que nada sei”. Tamanha é a vastidão do conhecimento.
Nesta perspectiva, alimentávamos uma esperança de sermos selecionados, achávamos difícil pela concorrência. A prova escrita do Mestrado tinha 70 pessoas, eram duas ou três salas de aula lotadas. A entrevista deixa a gente muito inseguro e ao mesmo tempo alegres, quando se é honesto e transparente. Foi uma experiência brilhante.
Se a Especialização em Métodos e Técnicas da Pesquisa Histórica foi boa, o Mestrado é claro, foi bem melhor. Me proporcionou segurança intelectual e perante os colegas maior deferência.
A crítica que faço ao Mestrado foi ter sido muito político, enquanto tendência pedagógica. Por outro lado nos proporcionou uma visão mais crítica da sociedade e da educação em particular.
Três doutores marcaram a minha passagem pelo Mestrado, pelo contato, pela atuação e dedicação. A professora Dra. Maria Nobre Damasceno, uma educadora de convicção firme na defesa dos excluídos, de uma formação acadêmica profunda e excessivamente séria e justa. Um segundo por ser o Coordenador do Curso à maior parte do período e também um educador que acredita naquilo que defende o prof. Ozir Tesser, ambos marxistas. O terceiro foi meu orientador, prof. Dr. Antônio Carlos, um educador, pesquisador tranqüilo, sem arrogância acadêmica, sério, de uma formação exemplar. Muito me ajudou na realização de pesquisa e elaboração da dissertação.
A pesquisa do Mestrado foi também sobre história local e é claro sobre uma experiência de Educação Popular, acontecida na minha região em Carqueija. Município de Capistrano.

5.3 OUTROS CURSOS

Além dos cursos acadêmicos vale a pena registrar mais dois cursos de aperfeiçoamento que fizemos no período em que éramos Secretário de Educação de Maranguape, foram eles:
Gestão Avançada, no Instituto AMANA KEI. Poucos são os profissionais e políticos que tem este curso no Ceará, os que fizeram fazem parte de um seleto grupo de executivos e políticos de projeção no estado do Ceará. Tive o privilégio de fazê-lo, quando estava na Secretaria de Educação de Maranguape. Este curso contribuiu, em muito para ampliar a minha visão de gestor, tornando-a mais global, mais abrangente.
Ainda na Secretaria de Educação de Maranguape, participei da Escola de Governantes do Ceará, concluindo o curso da 9ª turma daquela instituição liderada pelo Prof. Doutor Alberto Teixeira.
O curso da escola de governantes, além do aprendizado acadêmico enriqueceu os meus laços de amizade nos campos político, intelectual e empresarial, dada a diversidade de seus participantes.

6.0 – CONCLUSÃO

A minha trajetória escolar e profissional, proporcionou-me uma vasta experiência, sobretudo no trato com as pessoas. O sucesso de uma gestão em uma empresa ou instituição pública exige do dirigente saber tratar e, sobretudo ouvir as pessoas, tanto as de convívio interno, como as de relações externas. Neste novo desafio que nos submetemos, a nossa âncora será o dialogo, a negociação permanente, que tenha como resultado o bem da instituição UECE. Neste sentido a vivência que acumulamos, e os 22 anos de UECE a serem completados em 01 de abril deste ano, facilitarão em muito alcançarmos este desiderato.
Se por um lado elastecemos a nossa ação ao servirmos a secretaria de Educação básica e a secretarias municipais de Educação, como forma os casos de Maranguape e Capistrano, por outro lado em nenhum destes momentos nos afastamos da sala de aula, convivendo com colegas professores, estudantes e funcionários e com eles compartilhando problemas e soluções, sem pré buscando o melhor para a nossa querida UECE.
É com este sentimento, de dever cumprido até aqui, que nos lançamos para mais este desafio, na maturidade que os 51 anos de vida proporcionam a um ser humano. Vitorioso até aqui e vitorioso nesta empreitada, qualquer que seja o seu resultado final. Posto que a nossa maior vitória seja poder compartilhar com os protagonistas deste rico processo, as nossas propostas, e, sobretudo a nossa experiência.
Este foi um resumo de minha experiência, construída com aqueles que estiveram ao largo de minha trajetória, o que nos propomos a realizar no futuro está no plano de trabalho e será realizado se a comunidade universitária assim desejar e este desejo for confirmado por quem representa, legitimamente, o nosso povo, o governador do Estado.

Fortaleza, 11 de março de 2008.

Francisco Artur Pinheiro Alves
Candidato a reitor da UECE


SUMÁRIO


1.0 – TRAJETÓRIA ESCOLAR E ACADÊMICA 02

2.0 – EXPERIÊNCIAS NO MAGISTÉRIO: 1O E 2O GRAUS E
ENSINO SUPERIOR 04
2.1. Experiência na Escola Privada 04
2.2. Experiência na Escola Pública 04
2.3. Experiência no Ensino Superior 05

3.0 – PARTICIPAÇÃO EM GRUPOS DIVERSOS 11
3.1. Clube 04 (quatro) “S” 11
3.2. Experiência em Movimentos Extra Escolar, Comunitários e
Partidários no Escotismo 11
3.3. Outros Movimentos na Comunidade 12
3.4. Política Partidária 13
3.5. Experiência Profissional Não Docente 13
3.6. Outras Experiências Administrativas 14

4.0 – PRODUÇÃO CULTURAL 19
4.1. Cartas e Artigos 19
4.2. Literatura de Cordel 19

5.0 – FORMAÇÃO CONTINUADA 21
5.1. Especialização em História do Ceará 21
5.2. Mestrado em Educação 22

6.0 – CONCLUSÃO 24
[1] Quando nos referimos ao 1º e 2º graus, é por que estamos contextualizando historicamente o nível de ensino a que nos referimos. A lei 9394/96 modificou esta nomeclatura. Mas quando falamos da época, optamos por usar a nomeclatura de então.
[2] Parte desta história está registrada no livro A Interiorização da UECE no Sertão Central, de minha autoria, lançado pela editora da UECE em 2007.

quarta-feira, 19 de março de 2008

MEMORIAL DO PROFESSOR RUI ARARIPE


Memorial de vida profissional
No dia reservado para redigir o presente Memorial, para atender ao que prescreve o item “b” do Edital Nº 003/2008 do GAB-Reitoria que trata das eleições de Reitor e Vice-Reitor da UECE, eu acordei com saudade das vidas por mim vividas. A do berço familiar; a do quarteirão de minha rua e seu entorno; saudade dos colégios onde estudei e daqueles onde lecionei; da UFC, onde fui aluno de quatro cursos de graduação, três concluídos, aluno de pós-graduação, Membro do Departamento de Matemática, Membro da Comissão de Transferência, Membro da Comissão de Reforma do Regimento Geral da instituição, Membro da equipe que elaborou o Plano Administrativo da instituição em 1975, Membro do Conselho Universitário, todos na qualidade de representante do Corpo Discente e professor do seu Departamento de Matemática; saudade, também, da Unifor, onde lecionei por 13 anos e liderei o único Movimento Docente vitorioso já deflagrado nessa instituição; e, principalmente, da época de ouro da Uece, década de 80, que hoje poucos dos atuais professores conhecem, mas que foi um marco da trajetória da instituição e da minha vida profissional, tanto que a professora Mara Menezes com o seu artigo “Vou embora pro passado”, Diário do Nordeste de 08/11/2004, enfatiza: “Vou embora pro passado, porque lá eu era feliz, o professor universitário era valorizado e recebia o justo pelo seu trabalho. Vou embora pro passado, porque lá havia a APUC, Associação dos Professores da Universidade Estadual do Ceará, dirigida por Rui Araripe e depois pelo saudoso Hamilton Mota, ambos qualificados líderes classistas, sérios e competentes.Lá, em época de eleição tudo era feito às claras, as chapas se inscreviam sem sofre penalidades ou qualquer espécie de constrangimento moral ou jurídico.Vou embora pro passado, porque lá a APUC era respeitada, defendia os direitos dos professores, era recebida pelas autoridades e com elas discutia os pleitos da universidade. Essa postura permeava a UECE, influenciou por diversas vezes manifestações de servidores e discentes. Estes segmentos contavam com o respaldo de uma associação de docentes que representava e legitimava os interesses da comunidade ueceana como um todo. Vou embora pro passado, porque lá eu sentia orgulho de ser professora da Universidade Estadual do Ceará, andava de cabeça erguida, pois nossa categoria vivia com um padrão salarial condizente com sua relevância no seio da sociedade. Lá, no passado, não havia emboscadas com o objetivo de impedir as manifestações dos colegas. Vou embora pro passado, porque tenho saudades do tempo em que política universitária era coisa séria e digna.Enfim, vou embora pro passado, porque lá havia um borbulhar de emoções positivas nas entranhas da UECE que circulavam por suas artérias, veias e capilares, tornando-a ativa e participante. A instituição sentia-se segura, e seus integrantes protegidos em seus ideais e aspirações, pela confiança e legitimidade que conferiam à sua entidade representativa.” Antes, muito antes, antevendo os louros desse período em artigo publicado no “O POVO”, de 01 de dezembro de 1981, intitulado “Oração que não foi proferida”, o saudoso professor Anisio Maia de Souza proclamava: “neste certame estaremos juntos, todos os que fazemos nossa UECE, irmanados, de mãos dadas, ao lado deste jovem, audaz, inteligente, dinâmico líder nato para as alcantiladas epopéias-Presidente Rui Alencar Araripe.” Mais adiante ele acrescentava: “o bravo guerreiro Alencar Araripe já se acostumou às procelas e saberá conduzir-se com serenidade e denodo, pois foi sempre herói perseguido por óbices e vitorias, na escalada ciclópica de sua ascensão universitária.” Realmente a APUC, sob o meu comando, posicionou-se como permanente e eficiente defensora da UECE e, por natural decorrência, dos legítimos interesses dos segmentos que a compõem: alunos , funcionários e professores. O movimento liderado pela APUC obteve vitórias retumbantes, que estão na memória dos que viveram aqueles períodos marcados pela incerteza e pela insegurança, e nos quais o autoritarismo tentava sufocar acalentadas reivindicações, que iam da escala salarial à própria estrutura universitária, minada pela falta de autonomia. Leis e Decretos deram nova feição à UECE, em caráter pioneiro no Estado. A liberação de verbas para a construção do campus do itaperi jamais foi conseguida no montante então conquistado. A situação geral seria melhor ainda se as etapas complementares não tivessem sido lamentavelmente descuradas nos últimos anos.
Posto isto, fica caracterizado que minha vida profissional é um reflexo das atribuições acadêmicas, que assumi com gosto e dedicação, e do amplo envolvimento político em defesa da universidade, seja como docente ou discente. Meu olhar é, por isso mesmo, multidisciplinar em decorrência das múltiplas oportunidades que a vida me deu.
O berço familiar me recebeu no dia 24 de junho de 1951. Fui educado num lar bem estruturado. Minha mãe, a professora Noemi Benevides Alencar Araripe, e meu pai o jornalista, professor universitário e escritor José Caminha Alencar Araripe, proporcionaram-me uma vida feliz. Com crescimento natural, senti pulsar, ainda cedo, uma forte inclinação para participar da vida comunitária, ora na liderança estudantil, ora nas associações atléticas tanto do ensino secundário como no superior. A queda para a matemática apareceu cedo, tanto que uma afirmação corriqueira em família era a de que eu iria cursar engenharia. Como eu aprontava muito, meu pai, para aliviar a barra em casa, levava-me para a UFC. Quando lá ingressei, já sabia o que queria. Minha meta era ser monitor e representante estudantil, ideais que se concretizaram rapidamente.
O quarteirão de minha rua e seu entorno muito me ensinaram. Ali próximo estava a favela do Campo do América, à frente as residências dos comerciantes opulentos, na lateral residiam políticos de envergadura, no meio a classe média, ancorada na passarela da educação, que vislumbrava para os seus uma cobiçada vaga na UFC. O ciclo virtuoso da educação é palpável. Os do Campo do América que estudaram e se profissionalizaram, embora ainda lá vivendo, mudaram a estrutura e a fachada de suas casas, melhorando substancialmente a qualidade de vida de seus familiares. Os do meio, que respiravam universidade, cresceram, consolidaram posição social e ainda de quebra vêem os filhos seguirem a mesma trilha. A pulverização das heranças deixou muitos amargurados e o poder que é efêmero, soçobrou. Por isso tenho como princípio não perder a alma por esse.
Os colégios, inclusive os públicos, nos quais estudei com muita honra, mais do que saudade afetiva, geram em mim, hoje, uma nostalgia em decorrência do que estou vendo como professor de Prática de Ensino de Matemática nas Escolas de Ensino Fundamental e Médio onde coloco estagiários. Uma escola, com as exceções de praxe, que diferentemente da minha, deixa antever uma leva significativa de jovens postos à margem do desenvolvimento social. A minha escola preparou-me efetivamente para a vida e para enfrentar o batente na universidade. Nessa perspectiva lecionei, ainda como acadêmico, nos colégios Capistrano de Abreu, Djacir Menezes, Jacinto Botelho e Centro de Tecnologia do Ceará, entre os anos de 1974 e 1976. No biênio 1974/75, coordenei a área de ciências do Djacir Menezes. As escolas públicas de hoje que se afastam dessa tristeza acima relatada têm no bom desempenho de seu grupo gestor o alicerce que faz a diferença para melhor e constituem as exceções nesse pesadelo real.
Na Universidade Federal do Ceará - UFC, ingressei, no início de 1972, no Curso de Engenharia de Pesca, assim meio sem convicção se esse seria o curso que queria, e no meio do ano ingressei no Curso de Matemática da UFC, já que, naquela época não havia a proibição de um aluno matricular-se em mais de um curso da instituição. No início de 1973 fui aprovado no concurso para Monitor da disciplina Cálculo Diferencial e Integral-I, do Departamento de Matemática da UFC, onde exerci a monitoria até o final do ano de 1975. Esse fato vinculou-me ainda mais ao Curso de Matemática. Em 1974, depois de 2 anos estudando nos cursos de Matemática e de Engenharia de Pesca, resolvi abandonar o de Engenharia e dedicar-me somente ao Curso de Matemática, visando, no futuro, galgar a posição de professor universitário nessa área. O Curso de Engenharia de Pesca proporcionou-me conhecimentos de como tratar as Ciências Experimentais e aplicar métodos numéricos às mesmas. Em dezembro de 1975, concluo a Licenciatura Plena em Matemática da UFC e, em dezembro de 1976, o de Bacharelado em Matemática da UFC. Em fevereiro de 1977, concluo o Curso de Especialização em Matemática do Centro de Ciências da UFC, iniciado em janeiro de 1976, para o qual o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico-CNPq concedeu-me bolsa no período de abril/1976 a março/1977. No primeiro semestre de 1977, ingressei no Mestrado em Matemática do Centro de Ciências e Tecnologia da UFC e cursei as seguintes disciplinas: Geometria Diferencial, Álgebra Linear e Multilinear, Topologia Geral e Análise no RN. Embora não concluído, pois em 1978 deixei também o magistério na UFC para ingressar no magistério da UECE, esta experiência no Mestrado ampliou e aprofundou a boa formação adquirida na Especialização e no bom Curso de Matemática, dando-me lastro para exercer com desenvoltura as minhas atividades docentes iniciadas em1977 na Universidade de Fortaleza - UNIFOR e na UFC. Na década de 90, entrei como graduado e conclui mais um curso de graduação da UFC, o de Bacharelado em Estatística. O móvel principal era obrigar-me a usar o computador com mais desenvoltura no trato dos métodos quantitativos. Ser professor e aluno ao mesmo tempo, foi uma experiência enriquecedora. Pude sentir porque os alunos se inquietam ou se desinteressam, e reavaliei minha prática, passei a pensar criticamente sobre meu fazer tentando corrigir algumas falhas, e evitando fazer coisas que como aluno desaprovava em meus professores. Este fato tornou-me mais maduro em relação a construção do saber no processo de ensino-aprendizagem. A outra face do aprendizado, que a UFC me proporcionou, foi os dos procedimentos acadêmicos que aprendi com pessoas notáveis e históricas da UFC ao participar, na qualidade de representante discente, do Departamento de Matemática, da Comissão de Transferência, da Comissão de Reforma do Regimento Geral da instituição, da equipe que elaborou o Plano Administrativo da instituição em 1975 e do Conselho Universitário.
A UNIFOR, por ser uma IES de gerenciamento privado, não deixa de ser um grande laboratório a sugerir idéias e procedimentos a serem utilizados ou adaptados ao gerenciamento das universidades públicas, no campo acadêmico, administrativo, de segurança, na infra-estrutura, nas atividades culturais e esportivas e no envolvimento com o setor produtivo. O fato é que os 13 anos de atividade na instituição deram-me a dimensão significativa de sua importância no contesto sócio-cultural e científico do Ceará e deram-me, além de uma experiência humana relevante com alunos, funcionários e professores, a satisfação de lecionar nos cursos de Engenharia, Administração, Contabilidade, Economia, Direito, Geologia, Matemática, Química, Educação Física, Enfermagem e Fisioterapia, e apreender muito do que se faz para o bom andamento desses cursos.
Na UECE estou trabalhando ininterruptamente desde agosto de 1978 e, de lá para cá, participei de todas as lutas docentes em prol da melhoria da instituição, além de apoiar as reivindicações do corpo técnico-administrativo e do corpo discente. Desse envolvimento decorreu num primeiro momento a minha eleição, em novembro de 1981, para o honroso cargo de Presidente da Associação dos Professores da UECE-APUC, patamar a partir do qual pude encetar a mais significativa e produtiva mobilização em defesa de uma universidade pública, gratuita, autônoma e de qualidade, cujos resultados já falei no primeiro parágrafo. Reeleito em 1983 e fazendo o sucessor em 1985, na pessoa do saudoso Hamilton Mota, concretizamos os objetivos colimados no campo da infra-estrutura da UECE, da democratização da instituição, do aparato legal, até então incipiente, e do patamar salarial que culminou com a publicação do Decreto e da Lei que criaram o Piso Salarial do corpo docente da UECE. Conheço a UECE nas suas virtudes e nas suas imperfeições, pois, sem nunca ter me afastado das atividades em sala de aula, vivenciei a experiência administrativo-acadêmica, primeiramente como Coordenador de curso, depois como Chefe do Departamento de Matemática, tudo perfazendo um período de 8 anos no qual também militei no Conselho Departamental do Centro de Ciências e Tecnologia. Na qualidade de representante do corpo docente do Centro de Ciências e Tecnologia pertenci, alternadamente, aos Conselhos Superiores da UECE, Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão – CEPE e Conselho Universitário – CONSU, por um período que totaliza 17 anos. A partir desses envolvimentos tenho, afora outros artigos de interesse geral da sociedade publicados na imprensa local, marcado presença nos jornais locais, enfocando temas relacionados à educação e mais especificamente sobre a vida acadêmica, administrativa, política e classista na UECE. Atualmente, sou professor adjunto e Membro do Conselho Universitário, professor da disciplina Prática de Ensino de Matemática do Curso de Matemática e professor da disciplina Lógica Matemática do Curso de Computação, resido à rua Visconde de Mauá, 1925, apartamento 102, Aldeota, Fortaleza-Ceará, CEP 60125-160, fones 32.24.22.23 e 88.43.42.43.
O mais importante de tudo é ser filho de quem sou e ser casado há 31 anos com uma belíssima, por dentro e por fora, mulher, Tereza Maria Fiuza Alencar Araripe, com quem tive os filhos Rui Benevides Alencar Araripe Filho, médico formado pela UFC, Georgia Fiuza Alencar Araripe, médica formada pela UFC, casada com o tenente pára-quedista do Exército, Leonardo Rubens Carneiro de Almeida, e Bruno Fiuza Alencar Araripe, acadêmico de Direito da UFC.
Rui Benevides Alencar Araripe
Memorial de vida profissional
2008

SUCESSO EM TAUÁ E CRATEUS

A CHAPA 1 esteve presente nos debates deTauá e de Crateús segunda,17 e terça 18. No CECETEC, em Tauá o professor Rui Araripe, mostrou a diferença entre a nossa chapa e as demias, pois em primeiro lugar somos a única chapa que não participou das duas últimas administrçãoes da UECE. Falou de sua luta desde a década de 1970, como professor e fundador da APUC e da luta do prof. Artur Pinheiro na FECLESC, dentre outros. Antes do debate, no turno diurno, o prof Rui Araripe visitou as instalações do CECITEC e deu entrevista às emissoaras de rádio da região.
Na FAEC em Crateús o prof. Artur Pinheiro representou a chapa. Em suas intervenções, fez referência à experiência docente do prof. Rui Araripe, de como se formou a chapa 1 e de sua experiência na interiorização da UECE. Dentre as propostas destacou a necessidade de se criar no Ceará, o Curso de Arte Educação, posto que esta disciplina vem sendo ofertada por professores leigos. Sobre a FAEC argumentou que, se eleita a chapa 1, tomará as providências cabíveis à resolução dos problemas da faculdade, destacando a necessidade de se fazer o concurso para servidores e a necessidade de transferir o prédio do CAIC para a UECE, para integrá-lo ao patrinônio da FUNECE e assim podermos investir no mesmo. O debate foi muito cordial embora ficasse bem calra a diferença entre as chapas presentes. A chapa encabeçada pelo reitor da UECE não compareceu aos dois debates.

segunda-feira, 17 de março de 2008

POR QUE VOTAR EM RUI E ARTUR?

"Quer adivinhar o futuro? É só lembrar o passado.”
PARA A REITORIA DA UECE
2008 - 2012
RENOVE
Conclamamos todos os Lutadores da Universidade, como nós, a marcharem conosco.

Rui Benevides Alencar Araripe

Reitor

&

Francisco Artur Pinheiro Alves

Vice-Reitor


CHAPA 1


Nada mais gostoso que participar do processo de construção de sua universidade. Isso nós fizemos com muita determinação e grande capacidade de negociação sempre que estivemos à frente das iniciativas em defesa da UECE e de atribuições administrativas, como Conselheiros, Coordenadores, Chefes de Departamentos ou Diretor.



Não há efeito sem causa



Precisamos clarear o horizonte nebuloso da UECE. Como está é que não pode continuar. Somos candidatos de renovação, com vínculo histórico com a instituição, sem amarras e com uma sensibilidade aguçada para promover a socialização das oportunidades de participação a todos.

Somos diametralmente opostos a todos esses candidatos a Reitor e a Vice-Reitor que não souberam equacionar e resolver os graves problemas que nos afligem, sejam os de âmbito geral ou de seus centros.

Vamos, se eleitos, levantar todo o potencial da instituição e colocá-lo a serviço da Sociedade, discutindo e elaborando com a comunidade acadêmica um plano de metas de tal forma que a Universidade e a Sociedade fiquem cientes do real valor da UECE para o desenvolvimento Estado.


As ações básicas que nortearão nossa conduta à frente da Universidade sujeitar-se-ão aos seguintes princípios: autonomia universitária; educação como bem comum; valorização do mérito; visibilidade (portal da transparência) e democratização das decisões; respeito para com as pessoas e para com os colegiados; profissionalismo, responsabilidade e austeridade. Investir em recursos humanos e no planejamento institucional para equacionar os gastos conforme a demanda dos vários campi da universidade nos próximos quatro anos será tarefa a ser encaminhada de pronto. No verso, destacamos alguns pontos que constam do nosso plano de trabalho.


Função da UECE:
Promover a educação de excelência por meio do ensino, da pesquisa e da extensão, interagindo de forma ética e produtiva com a sociedade, objetivando o desenvolvimento cultural, social e tecnológico.

Visão :
Ser modelo educacional de desenvolvimento social e referência na área tecnológica.

Valores:
ÉTICA: gerar e manter a credibilidade junto à sociedade;
DESENVOLVIMENTO HUMANO: formar o cidadão integrado no contexto social;
INOVAÇÃO: efetuar a mudança por meio da postura empreendedora;
INTEGRAÇÃO SOCIAL: realizar ações com a sociedade, para o desenvolvimento social e tecnológico
QUALIDADE e EXCELÊNCIA: promover a melhoria contínua dos serviços oferecidos.

Objetivos:
- Modernizar o sistema de informação;
- Aprimorar os meios de comunicação;
- Ampliar as fontes de financiamento;
- Intensificar a ação institucional junto aos órgãos de governo;
-Promover uma estatuinte;
- Criar processos de melhoria contínua, visando aos conceitos máximos dos cursos e programas;
- Incentivar programas de titulação e capacitação de servidores, em especial os de interesse do curso;
- Analisar a oferta de novos cursos, atendendo à demanda da sociedade;
-Atender as demandas das unidades do interior;
-Viabilizar a implantação do PCCV e do Piso Salarial;
-Trabalhar no sentido de resolver o impasse relativo ao PCCV dos funcionários;
- Incentivar ações que valorizem a responsabilidade social da Instituição;
- Ampliar a oferta de cursos e programas de Mestrado e Doutorado;
- Reavaliar a política relativa aos cursos de Aperfeiçoamento e de Especialização;
- Intensificar a interação entre os programas de pós-graduação, de graduação e de atividades de extensão;
- Criar a Política Institucional de Pesquisa;
- Promover a criação de Núcleos de Competência para pesquisa e desenvolvimento;
- Elaborar uma política institucional para a Educação a Distância;
- Criar programas de educação continuada;
- Propor o desenvolvimento de novas práticas pedagógicas para o ensino e a aprendizagem;
-Fortalecer os cursos de licenciatura e os estágios acadêmicos;
- Intensificar a cooperação com a comunidade;
- Ampliar programas de intercâmbio com instituições nacionais e estrangeiras;
- Estruturar programas de educação profissional de nível básico;
- Ampliar as atividades de extensão em programas comunitários e assistenciais;
- Fomentar o desenvolvimento de incubadoras e parques tecnológicos;
- Reavaliar o Plano-Diretor institucional para a infra-estrutura;
- Adequar a área física às necessidades da Instituição;
- Proporcionar a aquisição, a manutenção e a adequação de equipamentos;
- Ampliar o acervo bibliográfico e o acesso à informação e ao conhecimento;
- Ampliar a estrutura de redes de comunicação de dados, voz e imagem;
-Atenção especial à qualidade de Vida na UECE e oferecer uma segurança eficiente em todos os campi;
-Fortalecer a Marca UECE;
-Assegurar assistência eficaz ao estudante. Ampliar o número de bolsas e de grupos PET;
-Dialogar permanentemente com as entidades de classe da comunidade ueciana.

Nosso blog: www.ruieartur.blogspot.com
Nosso e-mail: rui.artur@yahoo.com.br Fones: 8843-4243/9904-6903

RUI E ARTUR EM PRIMEIRO LUGAR

Hoje à tarde foi realizado o sorteio da posição dos candidatos na cédula eleitoral.A chapa Rui e Artur ficou com o Nº 1. Portanto serão os primeiros da cédula eleitoral. Agora ficou mais fácil, dia 10 de abril você vota na Nº1, Rui e Artur, por uma UECE mais democrática, masi transparente, mais eficiente... Vamos à vitória companheiros! vote chapa 1! RUI e ARTUR.

domingo, 16 de março de 2008

RUI E ARTUR PARTICIPAM DE DEBATES

Nesta segunda feira o prof. Rui visita o CECITEC de Tauá, construida na getão do prof. petrola e à noite participa do debate promovido pelo sindicato dos professores, naterça feira retorna à Fortaleza para dar aula e fazer visitas ao campus do Itaperi.
Já o prof. Artur fica em Fortaleza na segunda e na terça viaja para Crateus, onde participa do debate na FAEC EM CRATEUS. Na semana Santa o prof. Artur faz visita a alunos doMaciço de Baturité e Sertão Central, divulgando as propostas da chapa RUI E ARTUR renovação na UECE.
DIA 10 DE ABRIL, VOCÊ QUE É LIVRE, VOTE RUI E ARTUR PARA REITORIA DA UECE. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

RENOVAÇÃO NA UECE

Se você deseja renovação na reitoria da UECE, vote Rui Araripe para reitor e Artur Pinheiro para vice-reitor. Vamos juntos construir um novo momento na UECE. Aguarde nossas proposta e outras novidades neste blog.